Será mantido pelo Grupo de Estudos do Terreiro da Vó Benedita

Tentaremos colocar aqui a religião de uma forma pratica com uma linguagem simples de se entender, sem usar expressões antigas e desconhecidas, mas sim simplificando, da forma que nosso mentor o Caboclo das Sete Encruzilhadas quer que seja nossa religião.

A Umbanda é simples, pessoas que não estudam que não se atualizam que tem medo, que tem vaidade que complicam nossa Sagrada.

Em 2013 nosso grupo de Estudos foi focado em temas básicos da Umbanda, e conseguimos construir um conjunto de 10 apostilas básicas , com assuntos essenciais a nossa religião.

No ano de 2014 iremos focar assuntos mais complexos e misteriosos de nossa Umbanda e ate mesmo de outras religiões.

Estaremos fazendo sempre uma vez ao mês na primeira ou segunda terça feira do mês.

Teremos uma hora de palestra sobre algum desses assuntos, com algum convidado participando e depois uma hora de desenvolvimento aos médiuns da casa

Lembrem disso...o desenvolvimento do médium não deve ser apenas espiritual, mas também desenvolver seu intelecto...estudar...entender as obrigações que são pedidas e feitas.

Contatos e sugestões :

João Carlos Galerani Junior - paijoaozinho@terreirodavobenedita.com

Dirigente do Terreiro da Vó Benedita

Terreirodavobenedita.com

segunda-feira, 11 de março de 2013

Apostila IV - Março 2013


Gira de desenvolvimento -  Grupo de Estudo -  Apostila 3 – 09/03/2013

DEFUMAÇÃO – QUAL A SUA FUNÇÃO .

Em todos os terreiros de umbanda iremos nos deparar com um momento chamado defumação. E como diz um de nossos pontos cantados "Filho quer se defuma,Umbanda tem fundamento, é preciso preparar..."

A defumação é essencial para qualquer trabalho num terreiro de Umbanda. É também uma das coisas que mais chamam a atenção de quem cai pela primeira vez assistir a um trabalho.

A principal função da defumação realizada tanto na Umbanda quanto nas demais seitas religiosas através dos tempos, desde a Antiguidade, é com a queima de ervas e resinas, modificar a energia existente no ambiente para equilibrá-lo de acordo com a necessidade.

Na Umbanda, a defumação é realizada no início dos trabalhos, realizando a limpeza do ambiente, do corpo de médiuns e dos assistentes. Dependendo dos trabalhos realizados, deve-se limpar o ambiente com a defumação mais de uma vez ao longo do dia, para atrair e facilitar o trabalho que esteja sendo realizado pelas entidades.

Certas cargas pesadas se agregam ao nosso corpo astral durante nossa vivência cotidiana, ou seja, pensamentos e ambientes de vibração pesada, rancores, invejas, preocupações, etc. tudo isso produz (ou atrai) certas formas-pensamento que se aderem ao nosso aura e nosso corpo astral, bloqueando sutis comunicações e transmissões energéticas entre os ditos corpos.

Pois bem, a defumação tem o poder de desagregar estas cargas, através dos elementos ar, fogo e vegetal que a compõe, pois interpenetra os campos astral e mental e o aura, tornando-os novamente “libertos” de tal peso para produzirem seu funcionamento normal.

Além de suas propriedades astrais a defumação ajuda a mente do médium e da assistência, ou dos residentes daquele local, a entrarem em contato com os guias e protetores. Ou seja, o perfume da defumação estimula nossos centros nervosos (plexos) a captarem com mais qualidade as energias superiores, mantendo a mente da pessoa mais concentrada e propícia a esta percepção.




PRETO VELHO
Quando se fala em preto-velho, estamos falando de uma grande linha, ou seja, uma grande faixa vibratória onde espíritos afins se “encaixam” para cumprirem sua missão.
Esses espíritos foram ex-escravos e negros africanos que não chegaram a ser escravos. Constam também dessa linha espíritos que não foram escravos nem negros, mais que por afinidade  e experiência de vidas escolheram a Umbanda para cumprirem sua missão.
O termo “Velho”, é para sinalizar sua experiência, pois quando pensamos em alguém mais velho, subentendemos que essa pessoa já tenha vivido muito mais tempo. Adquirindo assim mais coisas para contar e passar, principalmente essa mesma pessoa já viveu o suficiente para ter aprendido a ter paciência, compreensão, menos ansiedade para a vida.
Eles pode se apresentar como Vovó, Vovô, Pai, Mãe, Tio, Tia devido a  escolha em uma de suas vidas encarnatórias. Esta linha como outras foram escolhidas por representar a luta de um povo em cima de preconceitos, exploração etc..., muitos foram escravos mas nem sempre no tempo do Negros Africanos no Brasil, foram escravos em outras épocas outros lugares etc.
  A grande característica dessa linha é o conselho. É devido a esse fator que carinhosamente dissemos que são os “Psicólogos da Umbanda”.
Suas vestimentas e apetrechos são bem simples, não necessitam de muitos artifícios para trabalhar, necessitam apenas contar com a atenção e a concentração do seu médium durante a consulta. Usam cachimbo, lenços, toalhas e as vezes fumo de rolo e cigarro de palha.
Sua forma de incorporação é compacta, sem dançar ou pular muito. A vibração começa com um “peso” nas costas e uma inclinação de tronco para frente, e os pés fixados no chão. Se locomovem apenas quando incorporam para as saudações necessárias (atabaque, gongá e Babá) e depois sentam e praticam sua caridade.
Essa simplicidade se expande, tanto na sua maneira de ser e de falar. Usam vocabulário simples, sem palavras rebuscadas. Sua maneira carregada de falar é para dar idéia de antiguidade.
Além disso os Preto-Velhos nos ajudam a enxergar que a prática da caridade, é vital para nossa evolução espiritual.
A linha é um todo, com suas características gerais, ditas acima, mais como cada médium possui uma coroa diferente, isso determina as diferenças entre os Preto-Velhos.
Essas diferenças ocorrem porque Preto-velhos são trabalhadores de orixás e trazem para sua forma de trabalho a essência daquela força da natureza para quem eles trabalham.

As Falanges dos Preto-velhos:

1. Falange do Povo da Costa (Rei Cambinda)
Cruzam-se com Iemanjá e ensinam que, através da resignação das provas, haverá o resgate das dívidas do passado. Consolam e auxiliam os sofredores, com muito amor. Suas oferendas são entregues nas praias.

2. Falange do Povo de Congo (Rei Congo)
Com Yori conseguem a energia pura e infantil dessa falange que, transformada, vence a dor e traz a alegria. Junto a sua oferenda vai uma vela rosa oferecida às crianças.

3. Falange do Povo de Angola (Pai Joaquim)
Libertam os escravos de hoje, presos aos vícios, maldades e erros, despertando-os para a vida, por meio de esclarecimentos ou ritos. Vibram nas matas .

4. Falange do Povo da Guiné (Pai Guiné)
Possuem o conhecimento das calungas (grande, o mar; pequena, o cemitério), profundos conhecedores da magia e da sabedoria para a cura de todos os males. Recebem suas oferendas no cruzeiro do cemitério ou na beira do mar.

5. Falange do Povo de Moçambique (Pai Jerônimo)
Trabalham na lei do livre-arbítrio (ou da livre escolha), com fins de inspirar a libertação do indivíduo durante sua vida terrena. Vibram na mata, sobre pedras em especial, ou nos lugares abertos nesse local, próprios ao repouso e à oração.

6. Falange do Povo de Luanda (Pai José)
Combatem demandas, fazem cumprir rigorosamente os rituais e trabalham muito na caridade, sendo exigentes, mas muito bondosos. Recebem suas oferendas no cruzeiro de cemitério.

7. Falange de Bengala (Pai Tomé)
Por terem sofrido muito na Terra, compreendem as misérias humanas, trabalham na busca da paz, da fraternidade e estimulam a caridade. Vibram nas colinas abertas e floridas.

Oferendas:

Cada Preto-Velho tem sua oferenda e gosto, mas citaremos algumas para conhecimentos.
odos recebem cigarros de palha, café, velas brancas e pretas (alguns, roxas), doces tradicionais tipo pés-de-moleque, rapaduras, sagu, farofa com lingüiça picada e comidas típicas do interior e da época em que viveram.

Bebidas:

Vinho, Café , Caldo de Cana, dentro das bebidas podem existir alguma particularidades como ... Arruda , Cravo, Canela... etc.

Ervas:

Arruda, Guiné, Benjoim, Cipreste, Folhas de Café, Alfavaca e Vassourinha Branca, etc...

SAUDAÇÕES AOS ORIXÁS

Para cada Orixá e Linha de Umbanda, fazemos uma saudação verbal específica, saudando a entidade, demonstrando assim nosso respeito.

Entretanto não se preocupe em lembrar de tudo, pois à todos os Orixás ou entidades, que trabalham na Umbanda, basta dizer Saravá! (salve) .

Saudação :

Oxalá
Saudação:Epa babá
Êpa Babá – siginifica olá, com admiração e espanto, ao ancestral dos ancestrais.


Iemanjá
Saudação:Odô Yá
Odoia ou Odociaba – significam Mãe das águas

Nanã
Saudação:Saluba Nana

Saluba Nana singnifica: “nos refugiamos em Nanã” ou salve, a senhora do posso, da lama”.


Oxum
Saudação:Ora Yeyê-ô
Ora Aie Ie o – Aieieo – Saudação a Orixá Oxum e significa salve a benevolente mãezinha.


Ogum
Saudação:Ogum Yê
Ogum iê! – saudação ao Orixá Ogum, significando salve Ogum senhor dos caminhos.


Xangô
Saudação:Kaô Cabecile

Kaô kabecilê! (ou Kaô kabecilê obá) – Saudação ao Orixá Xangô que significa – venham ver (admirar, saudar) o Rei (Alteza) da Casa


Iansã
Saudação:Eparrei Oyá
Epa Hei – saudação a Orixá Iansã e significa falar com espanto Olá. Esse espanto de grandeza de admiração ao ver o Orixá e dizer a ele Olá Iansã, Olá Oiá. Slave a Mãe dos elementos.


Oxóssi
Saudação:Okê Aro
Okê! Okê Arô! – saudação ao Orixá Oxossi significa Autoridade, rei, que fala mais alto, ou seja salve o Rei que é aquele que fala mais alto.

Obaluaê
Saudação:Atotô
Atotô – saudação para o Orixá Omolu, significando “Silêncio! Ele está aqui!”
O grande Rei da Terra

Oxumaré

Saudação: Arroboboi

Arroboboi - Significado da saudação: Senhor das águas supremas



Banho de Amaci


É o banho mais conhecido pelas pessoas que começam a frequentar os Centros de Umbanda e que somente deve ser preparado por uma Entidade Espiritual ou pelo Guia Chefe do Terreiro, Pai/Mãe-de-Santo, Zelador(a) do Terreiro, Babalaô ou Chefe de Culto. É o banho que pode ser preparado da cabeça aos pés, ou simplesmente da cabeça, porque é preparado de acordo com o Santo, Orixá protetor do filho, iniciante na Umbanda. O banho de amaci é próprio para a cabeça onde reside o nosso Santo Protetor, nosso Guia Espiritual. Só podem tomar o banho de amaci aqueles que forem frequentar e desenvolver-se na gira de Umbanda, no Centro ou Terreiro. O próprio adepto não deve nunca prepará-lo e nem tomá-lo em casa; existe todo um ritual para que seja feito o amaci da Umbanda, isto é, ervas selecionadas de acordo com o Santo do Iniciante, bem como dia e hora apropriados, e demais requesitos que o banho exige







Glossario da Umbanda

ABRIR A GIRA = abertura dos trabalhos nos terreiros.
ADEJÁ ou ADJÁ = Sineta ritual, de alumínio ou cobre, constituído de uma, duas, três ou mais campânulas, usada no Candomblé.
ALDEIA = morada dos Caboclos na Aruanda.
ALGUIDAR = recipiente de barro, espécie de bacia, muito utilizada em entregas e oferendas.
AMACI = Preparado líquido, à base de ervas sagradas maceradas em água.
AMALÁ = comida de santo, oferecida em agradecimento, louvor e também pedido aos Orixás.
APARELHO = médium.
ARIAXÉ = Ponto central do terreiro, de onde emana o axé do terreiro, onde se encontram enterrados os "fundamentos" (folhas, pedras, objetos e símbolos mágicos).
ARUANDA = céu, paraíso, plano espiritual elevado, morada dos espíritos umbandistas, morada dos Orixás. 
ARUÊ = Salve!
ASSENTAMENTO = 1. Representação material do Orixá regente de uma pessoa, composta de otás (pedras onde é "fixado" o Orixá), os elementos que o representam, suas insígnias principais, moedas, etc.
ATABAQUE = instrumento musical, espécie de tambor, utilizado nos terreiros.
AXÉ = poder que emana dos Orixás, energia vital, força invisível, mágica e sagrada. 
BABALORIXÁ ou BABÁ = pai de santo
BAIXAR = diz-se de um espírito quando incorpora no médium.
BANDA = designa a linha espiritual da entidade.
BANHO DE DESCARREGO = preparado líquido de ervas sagradas para limpeza e afastamento de vibrações negativas que se toma após o banho de asseio, despejando-o sobre o corpo, excetuando a cabeça.
BATER-CABEÇA = Saudar os Orixás, inclinando-se até tocar com a cabeça o solo. Cumprimentar respeitosa e humildemente determinada Entidade, inclinando-se até tocar com a testa o chão, quando se está diante dela.
BATER PARA O SANTO = tocar os atabaques no ritmo peculiar a determinado Orixá.
BEJA = cerveja branca.
BOLAR NO SANTO = Transe mediúnico incompleto, comum nos médiuns iniciantes ou despreparados. Forma preliminar e desordenada de transe que precede a iniciação. Animismo.
BURRO = modo como os Exus denominam seus médiuns na Umbanda. 
CABAÇA = vasilha feita do fruto maduro do cabaceiro depois de retirado o miolo.
CABEÇA-FEITA = Médium desenvolvido. Médium já cruzado no terreiro. Médium que já passou pela Obrigação de Cruzamento. Médium que já tem o Orixá “Dono da cabeça” definido.
CABOCLO = espírito de índio ou mestiço.
CACIQUE = chefe de corrente espiritual composta de índios. 
CAIR NO SANTO = transe mediúnico do não iniciado ou daquele que ainda não se encontra preparado para tal. 
CALUNGA GRANDE = oceano, mar.
CALUNGA PEQUENA = cemitério.
CAMBONO ou CAMBONE = Auxiliar das entidades incorporadas e dos leigos quando não entendem suas orientações. Auxiliar nos cultos.
CAMBURECO = homem, rapaz. 
CAMOLETE ou TORÇO= Pano de cabeça.
CAMUCITÊ = Altar. Congá. Peji.
CAMUTUÊ ou CAMUTUÁ = cabeça.
CANELA PRETA = soldado da polícia.
CANJIRA = construção na entrada do Terreiro, à esquerda, onde ficam assentados os Exus.
CANZUÁ ou CAZUÁ = Palavra de origem kimbundo que significa “cabana”, “casa”.
CAPANGUEIRO = o mesmo que “companheiro” na Umbanda. 
CAPITÃO = fiscal de trabalhos no terreiro.
CARICÓ = Templo. Terreiro.
CARREGADO = pessoa sob a injunção de fluídos espirituais maléficos.
CARURUTO = charuto.
CATULÁ = anular um trabalho de magia negra.
CAVALO = modo como as entidades denominam os seus médiuns na Umbanda.
CENTRO = Terreiro. Centro de Umbanda.
CHEFE DE CABEÇA = Modo como se designa o guia-chefe do médium. Pai ou Mãe (Orixá) de cabeça.
COISA FEITA = Diz-se do trabalho feito para levar o mal a alguém. Despacho maléfico. Feitiço. Bruxaria.
COITÉ = Cuia feita do fruto do coitezeiro. Cuia feita da casca de coco.
COMPADRE = modo popular de se referir a Exu.
CONGÁ ou GONGÁ = palavra de origem banto que designa "altar sagrado, composto por imagens de devoção. 
CORPO FECHADO = designa a pessoa que se crê a salvo da influência de maus espíritos.
CORREDOR DE GIRAS = frequentador que passa por vários terreiros, sem ter firmado compromisso espiritual com nenhum deles.
CURANDÔ = curador, curandeiro.
CURIADÔ = bebida que os guias tomam. 
CURIAR = Comer. Beber.
CURIMAR = Cantar. Entoar pontos cantados.
CURIMBA = Dança do Orixá ou entidade no terreiro. Orquestra do terreiro, formada por cantores e instrumentos musicais, tais como, atabaques, tambor, agogô, chocalho, berimbau, violão, entre outros. 
CURIMBAR = dançar cantando.
CURUMIM = criança.
DAR FIRMEZA AO TERREIRO = Designa uma série de procedimentos de segurança antes do início de uma gira, no intuito de afastar ou impedir a entrada de más influências espirituais no terreiro, tais como: riscar ponto na porteira, sob o altar, defumar, cantar pontos, etc.
DAR PASSAGEM = diz-se quando o guia do médium o deixa para que outra entidade nele se manifeste.
DAR PASSES = axé da entidade transmitido ao assistido através do médium incorporado.
DEMANDA = desentendimento, problema, feitiçaria contra alguém.
DANDALUNDA = outro nome dado a Iemanjá, tais como Janaína ou Mãe Dandá.
DAR COMIDA AO SANTO = Oferenda de produtos alimentícios ao santo com o objetivo de receber o seu axé. Amalá.
DEFUMAR = limpar alguém, local ou alguma coisa de maus fluídos.
DESCARGA = ritual para afastar do corpo de alguém ou de um ambiente fluídos maléficos.
DESCARREGAR = Procedimento que visa livrar alguém de fluídos maléficos. Despachar restos de vela, pontas de charuto e demais sobras do trabalho da entidade em local adequado.
DESCER = diz-se quando o orixá ou a entidade vai incorporar no médium.
DESMANCHAR TRABALHO = anular os efeitos de trabalho de magia negra sobre uma pessoa.
DESPACHO = trabalho entregue em lugar determinado, conforme orientação de entidade espiritual, geralmente da esquerda, para desmanche de trabalhos de magia negra, feitiço.
DIA DE OBRIGAÇÃO = dia de sessão em que os médiuns observam certos atos do ritual umbandista e cumprem tudo quanto lhes é determinado pelos Guias.
EGUN = Espírito desencarnado.
ELEDÁ = conjunto formado pelo Orixá “dono da cabeça” e o Orixá secundário, denominado ajuntó.
ENCOSTO = espírito desencarnado que compartilha dos pensamentos e fluídos dos encarnados, influenciando-os e prejudicando-os, conscientemente ou não, com suas vibrações.
ENCRUZA = cruzamento de ruas e rodovias no plano material, domínio de Kiumbas. Encruza espiritual é uma encruzilhada astral para colocar oferendas, sendo o correto.
ENCRUZAR ou CRUZAR = ritual que consiste em fazer uma cruz com a pemba na testa, na nuca, nas palmas das mãos e no dorso dos pés dos médiuns, no intuito de fortificar a sua mediunidade, estabelecendo uma ligação mais firme com os seus guias espirituais e protegê-lo contra influências maléficas.
ENDÁ = sineta litúrgica usada na Umbanda.
ENFORCADO = Espírito obsessor. Kiumba.
ENGIRA = Gira. Trabalho. Sessão.
ENGOMA = Conjunto de instrumentos musicais utilizados num terreiro. Atabaques.
ENTIDADES = seres espirituais.
ERÊ = Espírito que adota o psiquismo infantil para se comunicar com os encarnados. Espírito de criança.
ESPÍRITO DE LUZ = espírito sábio, benevolente, de elevada conduta moral.
ESPÍRITO OBSESSOR = espírito atrasado moralmente, algumas vezes, francamente malvado, que convive com o encarnado em perfeita comunhão de pensamentos. 
ESTRELA DE SEIS PONTAS = símbolo que traduz o poder equilibrador do universo.
FALANGE = grupo de seres espirituais que trabalham dentro de uma mesma corrente vibratória (linha).
FALANGEIRO = espírito pertencente a uma determinada falange.
FAZER MESA = abrir a sessão, abrir a gira.
FECHAR A GIRA = encerrar a gira ou qualquer cerimônia no terreiro em que houve formação de corrente vibratória.
FECHAR A TRONQUEIRA = designa o ato de defumar os quatro cantos do terreiro evitando que espíritos perturbadores ou zombeteiros atrapalhem o culto.
FILHO (A) DE FÉ = adepto da Umbanda. 
FILHO (A) DE SANTO = médium iniciante ou não que trabalha em um terreiro.
FIRMA = peça central da guia (colar) utilizada pelos iniciados. É colocada no ponto em que a guia é amarrada para fechá-la.
FIRMAR = concentrar-se para incorporar.
FIRMAR PORTEIRA = procedimento de segurança, realizado antes do início do trabalho, que consiste em defumar ou riscar um ponto especial na entrada do templo, para protegê-lo de más influências.
FIRMAR PONTO = Procedimento que consiste no canto coletivo do ponto da entidade que irá dirigir os trabalhos, objetivando evocá-la ao mesmo tempo em que se forma a corrente mediúnica. Riscar o ponto de determinada entidade. Designa o momento em que a entidade risca seu ponto, dando prova de sua identidade.
FIRMEZA = conjunto de objetos com força mística (axé), que enterrados no chão protegem e dinamizam forças espirituais no terreiro.
FORÇA ESPIRITUAL = diz-se do médium que ao incorporar revela poderes e conhecimento diferentes ou além de sua capacidade moral, intelectual e espiritual.
FUNDAMENTOS = leis de Umbanda, suas crenças e procedimentos.
FUNDANGA = queima de pólvora.
GANGA = Um dos tipos de Kiumba, erroneamente chamado de Exu.
GANZÁ = instrumento musical.
GARRAFADA = bebida para fins medicinais, preparada com ervas curtidas ou maceradas, misturadas em aguardente ou água.
GIRA ou ENGIRA = culto para entidades e Orixás, onde se dança ao som de cânticos. Corrente espiritual. Caminho.
GUIA = 1. Colar ritualístico representativo de uma entidade espiritual, constituído de miçangas de cristal e/ou de porcelana, pedras ou metal, nas cores que os identificam. 2. Orixá ou entidade espiritual.
GUIA DE CABEÇA = Orixá principal que é pai ou mãe de cabeça do médium.
GUIA DE FRENTE = a primeira Entidade que se manifesta no médium, não necessariamente sendo o seu Guia de Cabeça.
HALO = Luminosidade que envolve um espírito de grande elevação. Aura. Auréola circular presente na cabeça de imagens de santos e anjos.
HOMEM DAS ENCRUZILHADAS ou HOMEM DA RUA = Exu.
HUMAITÁ = palavra do tupi-guarani que significa, literalmente, “a pedra agora é negra”. Diz-se que Humaitá é a morada, o reino de Ogum. 
IABÁ = cozinheira especialista no preparo de comida de santo.
INCORPORAR = Entrar em transe mediúnico. “Receber” a entidade espiritual.
IORUBÁS = negros africanos que falam a língua Nagô.
IR PARA A RODA = desenvolvimento da mediunidade do iniciado na corrente mediúnica.
JACUTÁ = Altar. Terreiro.
JUNTÓ ou AJUNTÓ = Orixá secundário, que forma um par vibracional com o Orixá regente da coroa do médium.
JUREMA = 1. Uma das caboclas de Oxossi, chefe de falange. 2. Cidade espiritual onde habitam os Caboclos índios, também conhecida como Juremá.
KIUMBA = Encosto. Espírito obsessor. Espírito zombeteiro. Espírito maléfico.
LAÇAR O COBRERO = oração que se escreve com tinta em volta do "cobrero" para curá-lo.
LÁGRIMAS DE NOSSA SENHORA = semente de um tipo de capim, com o qual se confeccionam terços, guias (especialmente a de Pretos-Velhos), entre outros objetos de culto.
LAVAGEM DE CABEÇA = a lavagem de cabeça é feita derramando-se o amaci sobre a cabeça do médium, enquanto se entoa um ponto. A confirmação do guia de cabeça verifica-se após a lavagem da mesma, quando o guia incorpora e risca seu ponto em frente ao congá.
LEGIÃO = Falange. Grupo de espíritos.
LEI DE UMBANDA = designa a crença na Umbanda e em seus rituais.
LINHA BRANCA = linha de guias espirituais que são falangeiros dos Orixás.
LINHA CRUZADA = diz-se quando duas ou mais linhas se unem com o fim de tornar mais forte um trabalho no terreiro.
LINHA DE CURA = ritual que se ocupa com a cura física e espiritual do adepto.
LÓ = “Partir”, em Iorubá. “Ir ao Ló” é uma expressão utilizada pelos espíritos umbandistas para comunicar que vão desincorporar e partir.
MACAIA = 1. Folhas sagradas. 2. Local na mata espiritual onde se reúnem os caboclos. 3. Mata, floresta, bosque.
MACAIO = coisa ruim, sem valor.
MACUMBA = 1. Antigo instrumento musical usado outrora nos terreiros afro-brasileiros. 2. Termo com que os antigos denominavam os cultos dos escravos nas senzalas. 3. Nome pejorativo com o qual os leigos denominam os “despachos” de rua, os rituais e as religiões afro-brasileiras.
MACUMBADO = pessoa enfeitiçada.
MÃE PEQUENA = médium desenvolvida, que auxilia e substitui a mãe de santo em algumas ocasiões. 
MALEIME = pedido de perdão, de socorro, de clemência, de auxílio, de ajuda, de misericórdia, que pode ser feito em forma de cânticos ou preces.
MANIFESTAÇÃO = Diz-se quando um espírito comunica-se através de um médium. Transe mediúnico. Incorporação.
MARACÁ = chocalho indígena utilizado em solenidades.
MARAFA ou MARAFO = Aguardente. Cachaça. Forma que Exu designa sua bebida.
MATÉRIA = corpo físico.
MIRONGA = Magia. Segredo. Mistério.
MOÇA = forma popular de designar Pombo-gira na Umbanda.
MULECA OU MUREKA = menina, garota.
MUZAMBÊ = Forte. Vigoroso.
NAGÔ = 1. Nome dado aos escravos sudanezes. 2. Religião do antigo reino Iorubá.
NOMINA = Oração guardada num saquinho que deve ser pendurado ao pescoço como amuleto de proteção. Patuá.
OFERENDA = presente para os Orixás, Guias, Exus. 
PADÊ = amalá para Exu.
PÃO BENTO = pão ázimo ou qualquer outro tipo de pão, ao qual se dota de forças mágicas. Nota: pães bentos são utilizados em inúmeros trabalhos, por exemplo, acendendo uma vela branca na margem de mares ou rios, jogando em seguida um pão bento nas águas para localizar o corpo de uma pessoa que morreu afogada.
PATACO = dinheiro, moeda.
PATUÁ = Escapulário que o irmão de fé traz pendurado no pescoço, ou carrega em sua carteira, contendo orações, rezas e elementos.
PEJI ou PEGI = Altar. Congá.
PEMBA = espécie de giz em forma cônica arredondada, utilizado para traçar desenhos de caráter invocatório (pontos), entre outras determinações ordenadas pelos guias. Nota: as diversas cores de pembas permitem identificar a linha a que pertence a entidade trabalhadora.
PERNA DE CALÇA = significa “homem” na linguagem das Entidades.
PITO = Cachimbo ou cigarro de palha usado pelos Pretos-Velhos.
PONTEIRO = pequeno punhal utilizado em rituais e trabalhos de magia. 
PONTO CANTADO = Letra e melodia de cântico sagrado para cada entidade. Espécie de prece evocativa cantada que tem por finalidade atrair a vibração das linhas, falanges de trabalho e entidades espirituais, assim como homenageá-las quando chegam e despedi-las quando devem partir. Cânticos de louvor, entoados com finalidades rituais em determinadas cerimônias, para trabalhos de descarrego e desenvolvimento mediúnico. Nota: pontos cantados não devem ser deturpados ou modificados, para que sua força não se altere.
PONTO RISCADO = Desenho constituído de sinais cabalísticos, riscados com pemba, que chamam a entidade para o mundo terreno. Sinal, que riscado pelo médium incorporado, identifica a entidade manifestada e fecha o seu corpo contra espíritos e forças perturbadoras.
PORTEIRA = entrada do terreiro.
POVO DA ENCRUZA ou POVO DA RUA = falange de Exus.
PRECEITO = prescrição feita para ser cumprida pelos fiéis.
PUXAR O PONTO = iniciar um cântico.
PURUCADÔ = testa.
QUEBRANTO = mau olhado, feitiço, coisa feita. O quebranto é cortado com benzimento de Pretos Velhos.
QUEBRAR DEMANDA ou QUEBRAR A FORÇA = anular, desmanchar o efeito de um trabalho feito para prejudicar ou perturbar uma pessoa.
QUEBRAR PRECEITO = desrespeitar as regras estabelecidas num ritual ou trabalho. 
QUIMBANDA = linha de trabalhos de esquerda que juntamente com as linhas de direita, formam o equilíbrio na Umbanda. Não é o mesmo que Kimbanda e não é do mal.
QUIZILA, QUEZILA ou QUEZÍLIA = Tabu, aversão, antipatia, repugnância, implicância, interdição, indisposição em relação a algo ou alguém. Conjunto de proibições. 
RABO DE ENCRUZA = kiumba, espírito mau, trevoso, maléfico. 
RABO DE SAIA = mulher. 
RECEBER O SANTO = Incorporar. Entrar em estado de transe com o Orixá ou guia espiritual.
REDENTOR = Jesus Cristo
REINOS = Divisões do mundo espiritual. Domínios dos Orixás na natureza.
RESPONSO = oração dirigida a determinado guia para se conseguir uma graça.
RISCAR PONTO = desenhar sinal cabalístico que identifica determinada entidade espiritual para evocá-la ou a sua vibração ao plano físico. 
ROÇA = terreiro, centro.
SACUDIMENTO = Sacudimento do Centro: limpeza, lavagem e varredura do terreiro. Sacudimento das pessoas: descarrego dos filhos de santo.
SAMBORÊ = termo empregado no Omolokô que significa “sambar”, ou seja, “pular com alegria”. Nos terreiros designa um momento de grande energia. Nota: quando riscam os pontos algumas entidades cantam "Samborê, pemba de Angola" para maior firmeza dos trabalhos. 
SARABUMBA = Salve! O mesmo que Aruê!
SARAVÁ = saudação umbandista que significa “Salve!”, “Viva!”.
SUCÊ OU SUNCÊ = você, tu.
TOCO = vela, charuto, cigarro, banco.
TRONQUEIRA = lugar de grande importância para a segurança do terreiro, localizado de frente para a rua, do lado esquerdo de quem entra.
TUIA = fundanga, pólvora.
TUMBA = palavra congo-angolesa (Kimbundu) que significa parente ou pessoa íntima, mas que no Brasil ganhou o significado de sepultura, campa, jazigo, sepulcro.
UMBANDISTA = praticante, crente, seguidor da Umbanda.
UMBRAL = Purgatório. Região entre o plano físico e espiritual destinada ao esgotamento dos resíduos mentais no processo em que a alma abandona o corpo após sua morte. Estado ou local por onde passam algumas pessoas após a morte. Nota: no umbral os desencarnados experimentam sofrimentos "físicos" e morais, tais como, a sensação da necrose do corpo, o constrangimento de se ver incapaz de ocultar suas mazelas morais e desejos mais íntimos dos olhares de outros espíritos. 
YALORIXÁ ou IALORIXÁ (IÁ, IAIÁ) = mãe de santo.
ZAMBI = Deus supremo na Umbanda. O Criador na Angola, equivalente à Olorun no













domingo, 10 de fevereiro de 2013

Apostila III - Fevereiro 2013


Grupo de Estudo – Gira de desenvolvimento Baianos – 09/02/2013

 


Tema 1: Quaresma na Umbanda

“A palavra Quaresma vem do Latim quadragésima e é utilizada para designar o período de quarenta dias que antecedem a Ressurreição de Jesus Cristo, comemorada no famoso Domingo de Páscoa. Esta prática segundo alguns, se consolidou no final do século III, tendo sido citado no 1° Concílio de Nicéia, no ano 325. Na Quaresma, que começa na quarta-feira de cinzas e termina na quarta-feira da Semana Santa, os católicos realizam a preparação para a Páscoa.
Essencialmente, o período é um retiro espiritual voltado à reflexão, onde os cristãos se recolhem em oração e penitência para preparar o espírito para a acolhida do Cristo Vivo, ressuscitado no Domingo de Páscoa.
Na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material. Os zeros que o seguem significam o tempo de nossa vida na terra, suas provações e dificuldades. Portanto, a duração da Quaresma está baseada no símbolo deste número na Bíblia. Nela, é relatada as passagens dos quarenta dias do dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias de Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública, dos 400 anos que durou a estada dos judeus no Egito, entre outras. Esses períodos vêm sempre antes de fatos importantes e se relacionam com a necessidade de ir criando um clima adequado e dirigindo o coração para algo que vai acontecer.
O espírito da quaresma deve ser como um retiro coletivo de quarenta dias,  propondo um retiro como Jesus  no deserto, se prepara para a celebração das solenidades pascoais, com a purificação do coração, uma prática perfeita da vida cristã e uma atitude penitencial.
“...Jesus, antes de iniciar sua vida pública, passou pelo ritual de purificação, foi ao deserto e jejuou quarenta dias e quarenta noites (Mateus 4,2) para preparar-se para sua missão. E depois, ressuscitado, permaneceu quarenta dias com os apóstolos (Atos 1,3) ensinando-os, renovando-os para a nova fase da missão.
E por que quarenta? Até a ciência moderna utiliza o termo quarentena para determinar o isolamento por perigo de contaminação de doenças. De onde vem esse número? Quarenta é o número de semanas que demora para a gestação de um ser humano, o tempo que levamos para adquirir vida, desenvolver um organismo apto a sobreviver. A quaresma é um período entendido e tratado de maneira peculiar na visão de diversas religiões, mas na sua essência representa um processo necessário na vida de todo ser humano, a reflexão buscando auto conhecimento.
Todo espiritualista sabe e se prepara para as alterações energéticas geradas durante os três ciclos (Carnaval, Quaresma, Semana Santa),
Se a Umbanda é uma religião Cristã, porque não deveríamos seguir o exemplo do nosso mestre, que antes de iniciar uma nova fase, um ciclo que deixaria marcas na eternidade, guardou silêncio, refletiu, lutou contra seus demônios interiores e venceu.
Cada umbandista sabe que a mudança faz parte do aprendizado e crescimento espiritual, devemos vencer os demônios da vaidade, inveja, egoísmo e tantos outros, para merecer a oportunidade de trabalhar na corrente de um terreiro.
Umbandista, entre nesta vibração que está sendo gerada pelos seguidores de várias religiões e retire o melhor que puder para sair renovado e ter condição de assumir a grande e difícil responsabilidade de ajudar o próximo, sem julgamentos, sem preconceito, seguindo mais uma vez o exemplo do mestre.
Se há tantos espíritos perturbados soltos durante a quaresma, é justamente nela que precisamos trabalhar para auxilio deles e de quem mais nos procurar.
                                       
Sendo assim  a quaresma representa uma ideia de renascimento, na Umbanda ela representa uma nova chance de remissão para aqueles que, no mundo espiritual, foram os aprisionados de acordo com a lei e justiça divinas. A estes, então, é oferecida a liberdade e a oportunidade de recomeçar.
Porém, infelizmente, para muitos espíritos essa é apenas uma oportunidade de se verem libertos para voltar a praticar o mal, inclusive contra aqueles ligados à causa de seu aprisionamento.
Por isso, todos nós, mas principalmente aqueles que trabalham sua mediunidade, devemos ficar, durante esse período, mais vigilantes e cuidadosos do que nunca com as influências energéticas negativas, tanto as mentais quanto as espirituais.

O que é possível fazer para evitar esse tipo de interferência em nossas vidas, decisões e atitudes?

Primeiramente, é preciso estar atento a padrões incomuns de pensamento, atitudes, comportamentos ou sentimentos negativos, ou porque normalmente não acontecem, ou porque passam a acontecer nessa época de forma mais acentuada. Além disso, atentar também para distúrbios de sono e de humor, dores de cabeça sem causa aparente ou recaídas de uma forma geral, sobretudo com relação a vícios. É importante ainda evitar os excessos, principalmente no consumo de álcool e/ou de outras drogas que alteram o estado de consciência e, portanto, deixam a mente mais suscetível a influências externas.
De forma prática, auxilia manter sua vela de anjo da guarda permanentemente acesa e fazer banhos freqüentes de defesa. Recorrer à ajuda que as entidades nos oferecem com muito amor também é de grande importância, seja através da aplicação de passes ou através das consultas.

Vale lembrar que ataques e influências externas negativas não acontecem apenas nesse período, mas nesse período podem tornar-se mais freqüentes ou incisivos. Da mesma forma, velas e banhos não são ferramentas ou formas definitivas de proteção contra más influências específicas do período da quaresma, são instrumentos de que podemos nos valer em todos os dias do ano, mas que nesse período nos são de especial utilidade.

Quando o Mestre Jesus aconselhou os seus discípulos com a frase, "Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito na verdade, está pronto, mas a carne é fraca... na vossa paciência salvai vossas almas." ele os alertava para que estivessem atentos aos seus sentimentos, e atitudes pois a matéria é suscetível às vibrações negativas. A densidade da matéria faz com que ela seja propícia à interferência das forças do meio ambiente e também de forças manipuladoras que querem arrebanhar mais poder.


Tema 2 : O que são os Orixás?

O planeta em que vivemos e todos os mundos dos planos materiais se mantêm vivos através do equilíbrio entre as energias da natureza. A harmonia planetária só é possível devido a um intrincado e imenso jogo energético entre os elementos químicos e energéticos que constituem estes mundos e entre cada um dos seres vivos que habitam estes planetas.

Um dado característico do exercício da religião de Umbanda é o uso, como fonte de trabalho, destas energias. Vivendo no planeta Terra, o homem convive com Leis desde sua origem e evolução, Leis que mantêm a vitalidade, a criação e a transformação, dados essenciais à vida como a vemos desenvolver-se a cada segundo. Sem essa harmonia energética o planeta entraria no caos.

O fogo, o ar, a terra e a água são os elementos primordiais que, combinados, dão origem a tudo que nossos corpos físicos sentem, assim como também são constituintes destes corpos.

Esses elementos e suas ramificações são comandados e trabalhados por Entidades Espirituais que vão desde os Elementais (espíritos em transição atuantes no grande laboratório planetário), até aos Espíritos Superiores que inspecionam, comandam e fornecem o fluido vital para o trabalho constante de CRIAR, MANTER e TRANSFORMAR a dinâmica evolutiva da vida no Planeta Terra e seus habitantes.

A esses espíritos de alta força vibratória chamamos ORIXÁS, Na Umbanda são tidos como os maiores responsáveis pelo equilíbrio da natureza, condutores das qualidades divinas e responsáveis pela dinâmica da evolução. São conhecidos em outras partes do mundo como "Ministros" ou "Devas", espíritos divinos de alta vibração evolutiva que cooperam diretamente com Deus, fazendo com que Suas Leis sejam cumpridas constantemente.

O uso de uma palavra que significa “dono da cabeça” (ORI-XÁ) mostra a relação existente entre o mundo e o indivíduo, entre o ambiente e os seres que nele habitam. Nossos corpos têm, em sua constituição, todos os elementos naturais em diferentes proporções. Além dos espíritos amigos que se empenham em nossa vigilância e auxílio morais, como nosso Anjo de Guarda e nossos Guias, somos vibrados e irradiados por esses Seres Divinizados no ensejo de nos comunicarem as qualidades divinas que nos impulsionam para frente e para o Alto, na conquista da paz e da alegria. Apesar de recebermos a influência constante de todos os Orixás, somos influenciados e filiados, de forma especial, em nossa encarnação, os poderes e as energias Divinas. O Orixá que cuida do equilíbrio energético, físico e emocional de nossos corpos físicos e astral.

Nós, seres espirituais, manifestando-se em corpos de matéria, somos influenciados pela ação dessas energias desde o momento da nossa criação por Deus. Desde o momento em que nossa personalidade começa a ser definida, essas energias divinas e seus regentes nos abraçam com amor e nos apontam e orientam no caminho da evolução. Essas vibrações, em cada encarnação, vão formar o que chamamos de "arquétipo", conformando nossa personalidade à energia vibrada dominante.

Ao Regente dessa energia predominante, definida no nosso nascimento, denominamos de nosso Orixá , "Chefe de Cabeça", "Pai ou Mãe de Cabeça", Quando um espírito vai encarnar, são consultados os futuros pais, durante o sono, quanto à concordância em gerar um filho, obedecendo-se à lei do livre arbítrio. Tendo os mesmos concordado, começa o trabalho de plasmar a forma que esse espírito usará no veículo físico. Esta tarefa é entregue aos poderosos Espíritos da Natureza, sendo que um deles assume a responsabilidade dessa tarefa de forma especial, fornecendo a esse ser reencarnante as energias necessárias para que o feto se desenvolva, para que haja vida. A partir desse processo, o novo ser encarnado estará ligado diretamente àquela vibração original. Assim surgem os Orixás da coroa desse novo ser encarnado, que são as forças energéticas primárias e atuantes.

Nesse período da reencarnação, os Elementais trabalham incessantemente, cada um na sua respectiva área, partindo do embrião até formar todas as camadas materiais do corpo humano, que são moldadas até nascer o novo ser com o seu duplo etérico e corpo denso.

Após o nascimento, essa força energética vai promovendo o domínio gradativo da consciência da alma e da força do espírito sobre a forma material até que seja adquirida sua personalidade por meio da Lei do livre Arbítrio. A partir daí essa energia passa a atuar de forma mais discreta, obedecendo a esta Lei, sustentando-lhe, contudo, a forma e energia material pela contínua manutenção e transformação, no sentido de manter-lhe a existência.

A cada reencarnação, de acordo com nossas necessidades evolutivas e carmicas a serem cumpridas, somos responsáveis por diferentes corpos, e para cada um destes nossos corpos, podemos contar com o auxílio dos Espíritos da Natureza, regidos pelos Orixás. Um Mensageiro desse Orixá é, normalmente, quem se aproxima do médium quando este invoca qualquer Orixá. Em todos os rituais de Umbanda, de modo especial nas Iniciações, a invocação dessas forças são feitas para todos os médiuns quando efetuam seus Assentamentos, meio de atração, para perto de si, das energias puras vibradas.

É importante dizer que ao recebermos a vibração destes orixas estamos recebendo e emitindo esta energia cosmica tanto para o nosso bem como para as pessoas presentes na casa. Trazendo tudo de bom para que o trabalho ocorra da melhor maqneira possivel com as energias vibratorias dos Orixas.

È necessario lembrar que esta energia é de grande força, por isso se faz necessario que o medium receba os seus Orixas mentores para que o mesmo não se esgote e consiga continuar o trabalho de incorporação na casa. Esta forma vibratoria dos orixas, exigi do medium maior concentração e tambem disponibilização de enrgia pessoal , por isso e natural sentir a sensação de fraquesa no momento que o mesmo se retira.

Orixas mais cultuados na Umbanda

OXALÁ
Oxalá é o maior Orixá da Umbanda,  Deus Supremo. Representado por uma estrela de cinco pontas, é sincretizado como Jesus Cristo e representa a paz e a fé. Na umbanda, sua tarefa foi a de criação do ser humano. Ele envia vibrações que estimulam a fé individual, assim como irradiações que geram sentimentos de religiosidade. É aquele que determina o fim da vida de cada ser humano, é o momento de partir em paz. Representa o amor, bondade, pureza espiritual, e tudo aquilo que indica positividade.
OXUM
É a Orixá que domina as mulheres, orixá da fertilidade, do amor e do ouro. Protetora das gestantes e da juventude, é a senhora das águas doces. Representa a beleza e a pureza, a moral e o modelo de mãe. Muitas vezes é evocada em prol da limpeza fluídica dos seguidores e do ambiente dos templos. Segundo a Umbanda, ela é o exemplo de mãe que nunca desampara seus filhos e ajuda a qualquer pessoa.
OGUM
Orixá guerreiro, Ogum é aquele que representa todas as batalhas da vida. Representado por São Jorge, é o orixá protetor contra as guerras e contra diversas demandas espirituais; Ogum é a força do movimento. É ele quem protege os seguidores da Umbanda e as pessoas que sofrem perseguições espirituais ou materiais. Ogum também é o senhor das estradas, é a jornada do dia a dia e sua responsabilidade é a manutenção da lei e da ordem.
IEMANJÁ
Orixá mais popular do Brasil, a rainha do mar é a mãe todos os Orixás, é o trono feminino da geração, a protetora dos marinheiros, pescadores, das viagens pelo mar, e também sobre toda a flora e fauna marinhas. E além disso, atua no amparo à maternidade, rege de forma absoluta o lar e a família. Dona dos mares e oceanos, águas essas que, através de sua força, tem o papel de devolver vibrações e trabalhos, pois creem que o mar devolve tudo que nele for jogado e vibrado.
XANGÔ
Xangô é o Orixá da justiça e da sabedoria, simboliza a lei de causa e efeito, responsável a dar a quem merece o devido castigo e a vitória aos que foram injustiçados. É quem dá solução às pendências. A maioria dos seguidores que recorrem ao Xangô são os que sofrem de injustiças, perseguições espirituais e materiais. Desse Orixá, emanam também o saber e a autoridade, é o protetor de todos que tem contato com as práticas da lei.
IANSÃ
Iansã é a Orixá dos ventos e das tempestades. Rainha dos raios, é responsável pelas transformações e pelo combate à feitiçarias feitas aos seus seguidores. Guerreira, é conhecida também como guardiã dos mortos, pois exerce domínio sobre os eguns. A força de sua magia afasta todas as influências do mal e negativas, pois tem o poder de anular os males e cargas de enfeitiçamento.
OXOSSI
Oxossi é o Orixá conhecido como senhor dos caboclos e das matas. É o caçador de almas de homens e dele emana altivez. Encoraja e dá segurança a todos seus seguidores; protetor dos animais, é conhecido por aliar sua grande força com o bom senso. Assim como Ogum, é um lutador, grande guerreiro, está sempre pronto para defender aqueles que se colocam sob sua guarda.
OMULÚ
Orixá da saúde, atua sobre os doentes, hospitais e cemitérios. Senhor da morte e das doenças,costuma ser muito temido, porém da mesma forma que traz a doença, ele leva embora também. Muito respeitado, é um orixá exigente e grande feiticeiro. Omulú é a é a manifestação idosa de Obaluaiê. Os médiuns ao manifestarem a presença de Omulú, se curvam aproximando-se o máximo da terra, do chão. Representa a transformação do ser, morrer para o pequeno e renascer para o grande.
NANÃ
Rege sobre a maturidade e seu campo preferencial de atuação é o racional dos seres. Atua decantando os seres emocionados e preparando-os para uma nova “vida”, já mais equilibrada.
È a linha da Evolução, enquanto Obaluaye atua na passagem do plano espiritual para o material (encarnação), ela atua na decantação emocional e no adormecimento do espírito que irá encarnar
OXUMARÉ
 filho mais novo e preferido de Nanã, irmão de Omulu. É uma entidade branca muito antiga, participou da criação do mundo enrolando-se ao redor da terra, reunindo a matéria e dando forma ao Mundo. Sustenta o Universo, controla e põe os astros e o oceano em movimento. Rastejando pelo Mundo, desenhou seus vales e rios.. Sua essência é o movimento, a fertilidade, a continuidade da vida.
A comunicação entre o céu e a terra é garantida por Oxumarê. Leva a água dos mares, para o céu, para que a chuva possa formar-se - é o arco-íris, a grande cobra colorida. Assegura comunicação entre o mundo sobrenatural, os antepassados e os homens e por isso à associa do ao cordão umbilical..


Cores Vibratorias dos Orixas

Oxalá – Branco
Iemanjá – azul ( clara)
Oxum – amarelo ou Azul escuro
Iansã – Amarelo
Nanã – Lilás
Ogum – Vermelho
Oxossi – Verde
Xangô – Marron
Omulu – Branco Amarelo e preto
Oxumarè – As Cores do Arco Iris


Tema 3-Significado da palavra Aruanda


Aruanda é o nome dado pela Umbanda a uma cidade de luz etérica que orbitaria a ionosfera do planeta Terra, em uma dimensão espiritual de transição.

Apesar da farta literatura, a Umbanda não é considerada uma religião codificada. Por esse motivo, o termo Aruanda pode possuir diversos significados, dependendo da tenda, barracão ou centro espiritualista no qual seja mencionado. É, inclusive, utilizado por outras religiões espiritualistas tais como Quimbanda e Candomblé, em referência genérica a "plano espiritual".

Para a Umbanda tradicional (fundada em 1908 pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas), os habitantes de Aruanda são trabalhadores do bem e da caridade, sejam recém-desencarnados em aprendizagem, sejam espíritos de luz que à muito não retornam a esfera física pela reencarnação. Estes guias epirituais, apesar de sua evolução, permanecem na dimensão vibratória de Aruanda para continuar auxiliando encarnados e desencarnados, se manifestando na Terra sob a roupagem fluídica (em tipologia espiritual) de pretos-velho, cablocos e crianças. Suas verdadeiras formas, no entanto, transcendem raça, credo ou etnia, sendo possível sua manifestação em qualquer congregação que pratique o binômio amor-caridade e que admita a comunicação espiritual.

Para o espiritismo (codificado por Allan Kardec), Aruanda seria a denominação de uma colônia espiritual, assemelhada à colônia Nosso Lar, descrita no livro de André Luis, psicografado pelo médium Chico Xavier. Em Aruanda, porém, estariam presentes elementos magísticos da cultura africana, em sincretismo com simbolos da cultura judaico-cristã.

Aruanda, enquanto cidade espiritual, é mencionada nos livros "Tambores de Angola" e "Aruanda" - livros do espírito Ângelo Inácio, psicografado pelo médium Robson Pinheiro. Em ambos, a religião da Umbanda é situada com integrante de um panorama espírita maior (espiritualismo universalista), sendo explicada a importância de seus rituais magísticos e simbologias, enquanto formas de manipulação das forças elementais da natureza.