Será mantido pelo Grupo de Estudos do Terreiro da Vó Benedita

Tentaremos colocar aqui a religião de uma forma pratica com uma linguagem simples de se entender, sem usar expressões antigas e desconhecidas, mas sim simplificando, da forma que nosso mentor o Caboclo das Sete Encruzilhadas quer que seja nossa religião.

A Umbanda é simples, pessoas que não estudam que não se atualizam que tem medo, que tem vaidade que complicam nossa Sagrada.

Em 2013 nosso grupo de Estudos foi focado em temas básicos da Umbanda, e conseguimos construir um conjunto de 10 apostilas básicas , com assuntos essenciais a nossa religião.

No ano de 2014 iremos focar assuntos mais complexos e misteriosos de nossa Umbanda e ate mesmo de outras religiões.

Estaremos fazendo sempre uma vez ao mês na primeira ou segunda terça feira do mês.

Teremos uma hora de palestra sobre algum desses assuntos, com algum convidado participando e depois uma hora de desenvolvimento aos médiuns da casa

Lembrem disso...o desenvolvimento do médium não deve ser apenas espiritual, mas também desenvolver seu intelecto...estudar...entender as obrigações que são pedidas e feitas.

Contatos e sugestões :

João Carlos Galerani Junior - paijoaozinho@terreirodavobenedita.com

Dirigente do Terreiro da Vó Benedita

Terreirodavobenedita.com

quarta-feira, 15 de julho de 2015

VESTIMENTA



A) A roupa deve ser clara, de preferência branca expressando a pureza, e mais simples
possível, sem adornos ou enfeites, significando a humildade e a igualdade entre irmãos. O
médium não deve usar adornos (pulseiras, colares, anéis, etc.) pelos metais atrapalharem
alguns tipos de vibrações (É cientificamente comprovado que dentre as matérias tangíveis
encontradas em nosso planeta, os metais (ouro, prata, bronze etc.) constituem-se em
substâncias de grande poder magnético atrativo (capacidade de atrair, conduzir e/ou condensar
em seu corpo energias dos mais diferentes níveis e tipos)), além de que não deve ser
esquecido que nós lidamos, muitas vezes, com pessoas mais simples, e o uso desses adornos
pode incomodá-las. A vestimenta poderá ser diferenciada, em giras especiais ou festas. Os
únicos adereços que podem ser usados nas sessões são os indicados pelas entidades e
alianças (casamento, noivado ou compromisso).
Por que usamos o Branco?
Dentre os princípios da Umbanda, um dos elementos de grande significância e
fundamento, é o uso da vestimenta branca. Em 15 de novembro de 1908, data da anunciação
da Umbanda no plano físico e também ocasião em que foi fundado o primeiro templo de
Umbanda, Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, o espírito Caboclo das Sete
Encruzilhadas, entidade anunciadora da nova religião, ao fixar as bases e diretrizes do
segmento religioso, expôs, dentre outras coisas, que todos os médiuns utilizariam roupas
brancas. Mas, por quê?
Porque a roupa branca transmite a sensação de assepsia, calma, paz espiritual,
serenidade e outros valores de elevada estirpe. Vamos encontrar a razão científica do uso da
cor branca na Umbanda através das pesquisas de Isaac Newton. Este grande cientista do
século XVII provou que a cor branca contém dentro de si todas as demais cores existentes.
Portanto, a cor branca tem sua razão de ser na Umbanda, pois temos que lembrar que a
religião que abraçamos é capitaneada por Orixás, sendo que Oxalá, que tem a cor branca como
representação, supervisiona os Orixás restantes. Assim como a cor branca contém dentro de si
todas as demais cores, a Irradiação de Oxalá contém dentro de sua estrutura cósmico-astral
todas as demais irradiações (Oxossi, Ogum, Xangô, etc.).
O branco é de Pai Oxalá, regente da Fé no Ritual de Umbanda Sagrada. Como a fé é o
mistério religioso por excelência, o astral tem estimulado o uso dos paramentos brancos. E por
isso, também, que o conjunto dos umbandistas é denominado "O exército branco de Pai Oxalá".
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B) Não devem ser usadas roupas que são usadas no dia a dia, porque elas ficam
impregnadas de vibrações, que podem ser negativas, ou já vir vestido de casa com as roupas
brancas. A roupa deve ser trocada de um trabalho para outro, não só por questão de higiene
física, mas para limpar energias negativas que porventura tenham ficado impregnadas. A roupa
ritualística é de uso pessoal e, de preferência, não deve emprestada para outras pessoas.
Deve-se usar uma roupa branca, simples, sem adornos, separada exclusivamente para os dias
de trabalho. Na Umbanda, o uniforme do médium, ou está no vestiário do terreiro, e, portanto
dentro do cinturão de defesa do mesmo, ou está em casa sendo lavado ou passado, longe do
contato direto com as forças deletérias.
C) De preferência, o médium deve trabalhar descalço, porque os pés, como as mãos, servem
como antenas para receber e doar energias, e o contato dos pés com a terra facilita a descarga
das energias negativas que foram absorvidas.
Os Pés Descalços
O solo, chão representa a morada dos ancestrais e quando estamos descalços tocando
com os pés no chão estamos tento um contato com estes antepassados.
Nós costumamos tirar os calçados em respeito ao solo do terreiro, pois seria como se
estivéssemos trazendo sujeira da rua para dentro de nossas casas.
É também uma forma de representar a humildade e simplicidade do Rito Umbandista.
Além disso, nós atuamos como pára-raios naturais, e ao recebermos qualquer energia mais
forte, automaticamente ela se dissipa no solo. É uma forma de garantir a segurança do médium
para que não acumule e leve determinadas energias consigo.
D) O pano branco de cabeça faz parte da vestimenta ritualística, pois filtram formas
pensamento e projeções astrais, além de seu uso significar respeito às forças divinas.
E) As roupas devem ser razoavelmente uniformizadas e confortáveis, de que o médium possa
abaixar-se, erguer os braços e sentar-se no tendo seus movimentos livres, sem expor partes do
corpo e peças. A vestimenta deve ser discreta, sem decotes avançados, camisetas s. blusas de
alcinhas, calças apertadas, blusas ou saias transparentes, que tragam constrangimentos a
outros médiuns e a consulentes. Uma das bases trazidas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas,
por ocasião da anunciação da Umbanda no plano físico, evento histórico ocorrido em 15 de
novembro de 1908, em Neves, Niterói - RJ é a que diz respeito à igualdade.
Sabemos que na atual sociedade, com valores deturpados ou invertidos, é comum as
pessoas avaliarem umas as outras, não pelo grau de espiritualidade, moral, caráter e boas
ações, mas sim pelo que se apresenta em nível de posses.
Dentro deste contexto, é corriqueiro, embora extremamente falho valorizar ou conceituar
os habitantes deste planeta tendo como base a apresentação pessoal externa do indivíduo, ao
invés de se atentar para qualificativos internos. Priorizam-se bens materiais em detrimento das
virtudes.
E é justamente por isto que a Umbanda adotou o vestuário uniforme, para que alguns
assistentes ainda enraizados em equivocados conceitos não tenham como dar vazão a seus
distorcidos juízos de valor.
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Assim, quem adentra por um terreiro na esperança de cura ou melhora de seus
problemas, jamais terá a possibilidade de identificar no corpo mediúnico, todos com trajes
iguais, eventuais ou supostas diferenças intelectuais, culturais e sociais. Não terá a
oportunidade de saber se por trás daquela roupa sacerdotal encontra-se um rico, empresário,
um camelô, ou uma empregada doméstica. Na Umbanda, Sopro Divino que a todos oxigena o
personalismo ou destaque individual é algo que jamais deverá existir. Somos meros veículos de
manifestação da espiritualidade superior, e por isto, devemos sempre nos mostrar
coletivamente, sem identificações pessoais ou rótulos. Somos elos iguais de mesma força e
importância neste campo de amor e caridade denominado Umbanda.
F) A Roupa Branca é a vestimenta para a qual devemos dispensar muito carinho e cuidado,
idênticos ao que temos para com nossos Orixás e Guias. As roupas devem ser conservadas
limpas, bem cuidadas, assim como as guias (fios de contas), não se admitindo que um médium,
após seus trabalhos, deixe suas roupas e guias no Terreiro, esquecidas. Quando a roupa fica
velha, estragada, jamais o médium deverá dar ou jogar fora. Ela deverá ser despachada, pois
se trata de um instrumento de trabalho do médium.
EDUCAÇÃO MEDIÚNICA
a) O trabalho exclusivo para o médium, dito de desenvolvimento é por demais importante,
porque propicia ao dirigente a oportunidade de tratar do médium de todas as formas, inclusive
no equilíbrio de sua vibrações com os sés guias.
b) O médium não deve se apressar ou angustiar para conseguir um desenvolvimento rápido,
nem medir seus avanços com dos outros, pois cada um carrega características próprias, além
de momentos diferentes para alcançar os resultados.
c) Não se deve provocar manifestações precipitadas ou extraordinárias nos médiuns iniciantes,
nem usar meios não apropriados.
d) As canalizações dos guias dos médiuns devem ser feitas de maneira suave, equilibrada e
disciplinada, dando oportunidade à mente do médium de se manter ativa e consciente das
vibrações que sente, assim também para que a entidade possa adequar as suas vibrações com
as do médium, atingindo um equilíbrio, segurança e conforto nas comunicações.
PREPARO PARA A REUNIÃO MEDIÚNICA
a) Nas vinte e quatro horas que antecedem os trabalhos, salvo alguns muito poucos com
especiais características, o médium deve abster do sexo, álcool e carne vermelha, pois além de
deixarem vibrações e eflúvios negativos e duradouros na sua psique, são propícios para os
espíritos menos evoluídos, sem luz, sofredores e fingidores, atrapalhando as vibrações do
médium.
b) O dia da reunião mediúnica deve ser encarado com um dia especial por parte do médium.
Além das abstinências citadas no item anterior, é importante que o médium evite os excessos e
os vícios. É como se fosse um estado pré-operatório, no qual os trabalhadores devem se
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alimentar levemente, mantendo-se calmos e descansados e tendo uma noite de repouso até
por mais horas na noite da véspera dos trabalhos, se possível.
c) A preparação mais importante e eficiente continuará sendo a higiene mental (a leitura e o
estudo edificantes, os bons pensamentos e a contínua vigília nos atos). O objetivo é iniciar esta
preparação nos dias dos trabalhos até que se consiga fazer isso diariamente a todo o momento,
lembrando que o bom médium pode ser chamado a trabalhar no sono físico, a qualquer dia e
não apenas no dia da reunião mediúnica.
PROCEDIMENTOS DURANTE OS TRABALHOS
a) Como todas as demais tarefas de um grupo de trabalho espiritual, as reuniões devem ser
encaradas com muita responsabilidade e disciplina, tanto pelo lado dos dirigentes como dos
trabalhadores, sendo um dos pilares fundamentais ao seu bom desenvolvimento.
b) Em todos os aspectos da vida, devemos nos lembrar que a disciplina funciona como peça
realização d
respeitar as normas da casa na qual estão trabalhando.
c) Ao chegar à sala de atendimento, mesmo antes de começarem os trabalhos, o médium não
deve ficar em atitudes ou pensamentos fúteis ou impróprios para o ato, mas deve, desde logo,
procurar se concentrar em seus guias, aquietar o seu corpo e espírito, preferencialmente em
estado de meditação. Com isso, propicia facilidades para que a espiritualidade, que já está a
postos, possa começar a executar alguns trabalhos ou preparações.
d) Com a concentração e meditação antecipadas, o médium tranqüiliza seu corpo físico e
coloca seu corpo astral pronto para o início dos trabalhos. Deve por isso, permanecer calmo e
suave e voltar os seus pensamentos em DEUS e nos seus guias, para fins de melhor
aproveitamento de sua mediunidade.
e) O médium deve ficar todo o tempo com a sua mente concentrada somente na reunião, não
deixando a sua atenção se desviada para nada, mormente com curiosidade relativa aos
trabalhos que estão sendo executados.
f) O conjunto dos médiuns forma uma corrente magnética vibratória que envolve toda a sala de
reunião espiritual, por isso o médium deve manter-se concentrado para não haver quebras ou
sobressaltos, assim como não deve deixar o ambiente antes do término dos trabalhos.
g) O médium nunca deve se esquecer que o seu mentor não trabalha sozinho, mas em
conjunto com as suas qualidades e características, inclusive utilizando dos seus conhecimentos
e da sua moral. Assim, os guias dependem da seriedade, do interesse e da sinceridade do
médium para trabalharem sem errar. Por isso, o médium tem a obrigação de auxiliar
mentalmente aos seus guias durante a realização dos trabalhos.
h) Durante os trabalhos, o médium que não estiver sendo canalizado ou não estiver diretamente
envolvido, não deve pensar que não está sendo utilizado. Os trabalhos são feitos em variadas
nuances e faixas vibratórias, e as suas emanações energéticas podem estar sendo usadas
naquele momento, ainda que não seja de maneira perceptível.
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i) Os cânticos, os pontos riscados, as velas e os copos de água são modalidades de
estabelecer uma determinada faixa vibratória para uma das sete vibrações da Umbanda,
atraindo, assim, a energia propícia para os trabalhos.
CUMPRIMENTO DOS HORÁRIOS
A observância do horário de início e término dos trabalhos deve ser praticada, em respeito
ao plano espiritual, que sempre está pronto para o início no horário estipulado, ao corpo
mediúnico e à assistência.
ASSIDUIDADE AOS TRABALHOS
a) O médium deve evitar faltar aos trabalhos por atrapalhar a programação da assistência feita
pela equipe espiritual, que conta com a presença daquele médium específico por causa de
alguma característica mediúnica que possua que ajudará em um determinado atendimento.
b) Sempre que o médium precisar faltar ao trabalho deve se possível, avisar aos dirigentes o
mais cedo possível, porque assim a espiritualidade fica avisada, fazendo um novo planejamento
e não havendo improvisos ou falta de atendimento.
PREPARAÇÃO COMPORTAMENTAL DOS MÉDIUNS
"Se tiveres que chorar por alguém que errou, chora por ti mesmo. Se tiveres de alterar a voz
com irmãos que julgastes incursos em erro, altera a voz contigo mesmo.
r alguma virtude que não possuis, fala das qualidades dos companheiros
Espírito
Médium é toda pessoa que sente, em um grau qualquer, a influência dos espíritos. A
mediunidade é a faculdade que, se desenvolvida ordenadamente, poderá servir de veículo de
comunicação entre os dois planos da vida, o espiritual e o material. Essa faculdade é inerente
ao homem, porém, usualmente, tal qualificação só se aplica àqueles que, devido a organismos
mais sensíveis, têm a faculdade mediúnica nitidamente caracterizada e manifestada por efeitos
de uma intensidade maior. A mediunidade é um dos recursos mais eficientes para o resgate de
carmas.
A mediunidade é a exteriorização de um dom que aflorou no ser e que, se bem
desenvolvida, irá acelerar sua evolução espiritual. Portanto, não é provação. Também não é
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uma punição cármica, mas um ótimo recurso facultado pela Lei, para a harmonização com
nossas ligações ancestrais.
O médium, desde que integrado à corrente espiritual de um centro de Umbanda, torna-se
beneficiário direto dos orixás, recebendo seu amparo e direção. Mesmo que sua mediunidade
de incorporação demore a aflorar, ou nunca aconteça, está religado aos orixás por sua fé e é
importante para a corrente, que confiará a ele algum outro tipo de trabalho nas atividades da
casa: auxílio ao trabalho dos guias, orientação à assistência, canto dos pontos aos orixás, etc.
Todos os médiuns de uma corrente estão sob a irradiação direta dos orixás.
O terreiro é um lugar de meditação e trabalhos espirituais, não de comentários e
observações. Jesus disse: "Orai e vigiai", para que não penetrem no rebanho ovelhas negras,
evitando assim que se estraguem as outras.
A meditação e a firmeza de cada médium evitam que ocorram fatos desagradáveis durante
os trabalhos.
Todo médium que não esteja concentrado deverá ficar atento na incorporação e
desincorporação de seus irmãos de fé, pois é dever de todos evitarem que acidentes
aconteçam.
Procure dar exemplos de paciência e desprendimento, servindo a todos com bondade e
dedicação.
Não dê ouvidos às intrigas e calúnias. Só as árvores frutíferas são apedrejadas, na tentativa
de derrubar seus frutos. A uma árvore estéril ninguém dá importância. A calúnia muitas vezes é
uma honra para quem a recebe. Nunca pare seu serviço por causa da calúnia, se parar estará
dando razão ao caluniador.
As dúvidas que surgirem no corpo mediúnico deverão ser levadas ao conhecimento do
diretor espiritual, para melhores explicações e esclarecimentos. Quando o médium souber algo
a respeito de seu irmão que o mesmo está sujeito a complicações com terceiros, deverá dirigirse
à Diretoria e explicar o fato, porque o mal se corta pela raiz.
São muitas as oportunidades que o filho de fé recebe, basta saber aproveitá-las.
PREPARAÇÃO COMPORTAMENTAL E DEVERES DOS
CAMBONES E DOS AUXILIARES
"Estamos todos ligados uns aos outros e todos em Deus."
Espírito Miramar
Muitos imaginam que só pode participar das atividades dos terreiros quem é médium de
incorporação. Existem diversas formas de mediunidade e os templos umbandistas necessitam
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de muitas pessoas colaboradoras, para seu bom funcionamento físico e espiritual. Se todos
dentro do terreiro incorporarem, quem irá cantar os pontos, quem irá cambonar, quem irá ajudar
a amparar os médiuns novos que estão aprendendo a girar?
Todos nós podemos vestir o branco, principalmente dentro do coração, isto é, vestir nosso
espírito de branco em prol de um trabalho de caridade e caritativo e verdadeiro. Os cambones
são trabalhadores abnegados que cuidam para que tudo esteja em ordem e atendem às
necessidades dos Guias incorporados, quando precisam de algum elemento material.
São muito importantes e são os grandes responsáveis pelo bom andamento das atividades
do templo, durante um trabalho. São médiuns preparados para a doutrinação de espíritos
menos esclarecidos e para o auxílio na firmeza dos rituais.
Há cambones que não são incorporantes, mas são capacitados e consagrados no trabalho
de auxiliar e servir os mentores e guias durante os trabalhos. Há aqueles que estagiam nessas
funções e preparam seus espíritos para a prática da mediunidade de incorporação. Em algumas
casas, essas funções funcionam como porta de entrada da mediunidade, pois o médium
aprende primeiro a cambonar, para depois vibrar sua mediunidade ativa, junto com os médiuns
mais experientes.
Somente os cambones preparados têm autorização para auxiliar as entidades na
manipulação magística de elementos diversos, pois seu corpo espiritual foi preparado para isso.
DEVERES DOS CAMBONES E DOS AUXILIARES
Preparar-se antes dos trabalhos e concentrar-se durante eles.
Conhecer bem as normas da casa.
Preparar, antes da abertura da gira, o que as entidades costumam solicitar.
Servir e respeitar os Guias e os médiuns. Sempre chamar as entidades pelo seu nome de
força.
Saudar a entidade e acomodá-la no seu lugar.
Entregar para a entidade tudo o que ela solicitar.
Manter-se concentrado e em total sintonia com os Guias que estiver cambonando.
Se a entidade riscar o ponto pela primeira vez, copiá-lo e depois passar para o médium, ou agir
conforme as normas da casa,
Manter-se atento aos atendimentos realizados pêlos Guias, principalmente quando o médium é
iniciante na função. Caso a entidade de algum filho faça algo incompatível com as normas da
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casa, comunicar isso a ela, com muito respeito, explicando-lhe que nessa casa não é permitido
agir daquela maneira.
Esclarecer dúvidas dos consulentes, quanto ao entendimento da fala do Guia, prestando
atenção e anotando as receitas de ervas, acendimento dos charutos, cachimbos, cigarros,
velas, etc.
Anotar o que as entidades indicam aos consulentes: banhos, defumações e outras
recomendações.
Ser discreto e preciso. Não ouvir nem participar do diálogo entre o consulente e a entidade. Se
solicitado na conversa, por qualquer motivo, ser o mais discreto e educado possível. Nunca
revelar o que ouviu durante o atendimento, a não ser para o dirigente da casa, caso seja
necessário.
Nunca interferir nas decisões da entidade.
Agir com atitudes de respeito, amor, caridade e fraternidade, desinteressadamente, em relação
aos consulentes e freqüentadores do templo.
Despedir-se do(s) Guia(s) que cambonou, antes de suas retiradas, agradecendo sua(s)
vinda(s) ao terreiro, desejando-lhe que "Pai Oxalá lhe dê muita luz e força".
Preparar-se sempre, buscando mais esclarecimentos e estudos acerca da espiritualidade.
Em diversos terreiros de Umbanda existe uma classificação para os responsáveis pêlos
serviços gerais:
o Cambone Chefe responsável geral, que prepara e defuma o templo, para que o
sacerdote e os demais médiuns desenvolvam seu trabalho.
o Cambone Sub-chefe responsáveis pêlos médiuns já desenvolvidos.
o Cambone de Terreiro executa serviços gerais e auxilia os médiuns.
o Cambone de Assistência é responsável pelo encaminhamento das
pessoas para as consultas espirituais.
o Cambone Iniciante médium em princípio de aprendizagem.

PREPARAÇÃO DA CORRENTE MEDIÚNICA


A defumação é feita na abertura dos trabalhos, acompanhada dos pontos cantados e
batidos nos atabaques, palmas e/ou outros instrumentos, da tradição umbandista.
As ervas usadas para a defumação variam de terreiro para terreiro, de acordo com os
fundamentos de cada casa.

A religião não deve ser como uma corrente que arrebenta no elo mais fraco. Quanto menos
pessoas fizerem o negativo, menos todos estarão expostos à vergonha. Fica claro que cada
um é responsável por todos e vice-versa. Ou seja, para que a religião evolua é preciso que,
ajudem seu pior praticante a ascender espiritualmente e como ser humano na sua totalidade
(material, emocional, culturalmente e como indivíduo (cidadão)).
Na estrutura de um Templo, todas as funções são importantes (dirigentes, médiuns,
cambones, auxiliares, etc.). O corpo mediúnico deve ser dividido em grupos de trabalho, cada
um com suas tarefas específicas.
Os participantes poderão se revezar nos grupos ou atuar segundo suas habilidades, e cada
posto deve ser ocupado pela pessoa mais qualificada para a função, ou a mais disposta.
A preparação do corpo mediúnico começa pelo esclarecimento sobre a doutrina
umbandista, a mediunidade e, principalmente, sobre a importância do médium e do seu
comportamento e concentração, antes, durante e depois dos trabalhos.
Citamos, a seguir, pontos importantes para uma boa preparação corporal, mental,
emocional e espiritual dos médiuns:
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REFORMA ÍNTIMA
A partir da ciência de sua mediunidade e do compromisso de colocá-la a serviço da
espiritualidade, o médium deverá conscientizar-se da própria necessidade de melhorar
comportamentos e atitudes no dia a dia, que automaticamente refletirão de modo positivo nos
trabalhos que realizará no Templo e em sua vida como um todo.
Quando alguém assume o grau de médium, dele também é exigido que purifique seu íntimo,
que reformule seus antigos conceitos a respeito da religiosidade e que se porte dignamente, de
acordo com o que dele esperam os orixás sagrados, que o ampararão daí em diante. A
transformação interior é o caminho correto da vida, o caminho da fé e da vontade, o caminho da
luz.
A prática religiosa deve ser um ato sagrado o tempo todo, levando a simplicidade da vida
para dentro do nosso coração e tornando sagrado o nosso mundo, as nossas ações, os nossos
momentos. Não é preciso "arranjarmos tempo" para praticar a religião, o necessário é
transformarmo-nos interiormente, buscando nossa verdadeira essência, nossa verdadeira natureza
e identidade, a cada momento, expressando isso na criação de um mundo melhor. É
preciso purificar o corpo físico e o coração.
PURIFICAÇÃO DO CORPO
A purificação do corpo implica comportamento limpo, claro e aberto, dar carinho e servir aos
outros, fazendo de nós um modelo a ser seguido. Significa não ir à busca do prazer e da gula,
não falar palavras fúteis, desrespeitosas ou sobre os erros dos outros; não promover discórdias;
mas sim, incentivar as pessoas a fazerem as coisas certas; falar palavras reconciliadoras; ser
educado, amoroso, suave, delicado, afável e benevolente; não falar alto e grosseiramente.
Implica, ainda, o consumo de alimentos depurativos do sangue e curativos e a superação de
vícios e maus hábitos.
Nos dias de trabalho estamos para Deus. Certos cuidados são exigidos: não ter relação
sexual por pelo menos 24 horas antes; não ingerir bebida alcoólica e/ou outras drogas e
substâncias prejudiciais à saúde; não ingerir carne de espécie alguma. A alimentação deve ser
leve, pois refeições pesadas ou picantes demais trazem distúrbios orgânicos e energéticos que
desvirtuam o trabalho do médium, interferem na concentração e despertam emoções mais
densas.
O excesso de alimentação produz odores desagradáveis pêlos poros, pela saída dos
pulmões e do estômago. O álcool e outras substâncias tóxicas conturbam os centros nervosos,
entorpecendo a mente, anulando a percepção extra-sensorial e alterando certas funções
psíquicas. Também abrem o campo mediúnico às vibrações negativas e estimulam o emocional
dos médiuns.
Os procedimentos de resguardo visam desobstruir os pontos de captação de energias e
afinizar a vibração do médium em seu padrão pessoal. Quanto mais puro em suas energias,
mais facilmente o médium sintonizará vibratoriamente as irradiações das entidades e isto, se
feito continuamente, se expressará na saúde do médium, tornando-o menos suscetível às
doenças.
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A PURIFICAÇÃO DO CORAÇÃO
A purificação do coração, enquanto fonte da consciência do ser humano ocorre com a
preservação do pensamento limpo e sem defeito. Para isso devemos desenvolver a
sinceridade, o respeito, a humildade, a gratidão a harmonia, o contentamento, a misericórdia, a
compaixão e o perdão, no entanto sem aplacar o sentimento de revolta contra as injustiças e a
miséria.
Este mundo transitório da matéria deve ser entendido como uma dádiva que podermos
enxergar nossa verdadeira dimensão e caminhar para comunhão com a consciência divina. Em
nossa prática do dia-a-dia, temos de sermos, nós mesmos, uma fonte de luz.
O ciclo reencarnacionista é uma das vias de evolução, sob a irradiação dos sagrados orixás,
na qual todo e qualquer espírito tem a possibilidade percorrer um caminho de infinito
aperfeiçoamento, tanto no plano material quanto no plano espiritual.
O sentido da vida está em ajudarmos no equilíbrio de nossos semelhantes. Aqueles que se
tornaram conhecedores da Lei e já conquistaram um equilíbrio, buscam a essência do Criador
nas coisas mais simples; sacrificam-se pêlos semelhantes, sem nada esperar em troca;
preocupam-se em não depredar a natureza; integram-se por inteiro ao ancestral místico,
sabendo que tudo é parte do mesmo corpo de Olorum. Devemos estar alerta para não se
anular para servir ao outro, pois se diminuindo muito não se poderá prestar ou servir para nada.
A nós, umbandista cabe purificar o nosso íntimo, renovar a religiosidade e a fé nos sagrados
orixás, no nosso meio humano, sofrido e desencantado com tantas injustiças sociais e religiões
comprometidas com esse estado de coisas. Temos que lidar, simultaneamente, com o nosso
íntimo e com o nosso meio, sem nos dissociarmos de nada ou de ninguém à nossa volta. É
fundamental que conquistemos os dons, as virtudes e a harmonia para o nosso planeta,
retornando à simplicidade de cultuar Deus, de sermos responsáveis pela vida e auxiliares do
nosso Divino Criador. Se essa for à prática cotidiana na vida do médium, torná-lo-á inacessível
aos espíritos trevosos e às vibrações negativas.
CONDIÇÕES PARA O TRABALHO
Os dias de trabalho são especiais e sagrados e os médiuns devem conscientizar-se disso. É
necessário ter um dia o mais tranqüilo possível; evitar, ao máximo, aborrecimentos e
discussões; ter muito cuidado com o que fala ou pensa, não se envolver em fofocas ou intrigas,
nem trazer esse tipo de assunto para dentro do Templo. Todo médium precisa estar bem,
calmo e equilibrado para que receba adequadamente as entidades e estas possam usar as
boas energias dele, para atender e cuidar dos consulentes e dele próprio, que pode e deve sair
revigorado do trabalho.
Os guias percebem tudo o que sentimos e pensamos. Um espírito elevado não aceita
atitudes erradas, piadas chulas, depreciação do outro e sentimentos negativos. Se o médium
adotar um mau comportamento, não conseguirá uma sintonia com os guias de luz, que se
afastam e, em seu lugar, são atraídos espíritos zombeteiros, que causam erros e transtornos.
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Caso o médium tenha um dia agitado, por várias situações, deve chegar ao Templo com
tempo suficiente para relaxar, acalmar-se e, se necessário, pedir alguma ajuda aos irmãos ou
ao dirigente. Caso não esteja em condições de trabalhar, não o faça. Fique para os rituais,
mantenha-se concentrado, tome um passe e permaneça em silêncio, em um local onde não
atrapalhe o andamento do trabalho.
PREPARO PARA O DIA DE TRABALHO
BANHOS DE DEFESA
Nos dias de trabalho, tomar banhos de ervas, depois de acender a vela para o Anjo de
Guarda. Os banhos podem ser apropriados a cada um, de acordo com seu orixá de cabeça, ou,
se o mesmo ainda não for conhecido, poderão ser feitos os banhos de defesa indicados a
todos, de acordo com a orientação do mentor da casa.
O banho de defesa, ou o que foi determinado pêlos guias, poderá ser tomado horas antes
da cerimônia ou no mesmo dia pela manhã. Para os banhos, ferver água em um vasilhame,
abafando-as. Deixar esfriar naturalmente e, após o banho de higiene, derramar o preparado de
ervas do ombro para baixo ou segundo a orientação do dirigente da casa. Exemplo de ervas:
arruda, guiné, alecrim, manjericão, alfazema, sálvia, hortelã, tapete de Oxalá, malva, colônia,
abre-caminhos, quebra-demandas, etc.
FIRMEZA DE FORÇAS
Antes de sair de casa, o médium deve firmar velas, para a direita e para a esquerda, de
acordo com as orientações da casa freqüentada. Caso não possa firmar as velas de proteção
em sua casa, o Templo poderá oferecer um espaço apropriado para isso.

PREPARAÇÃO DO AMBIENTE PARA OS TRABALHOS


Cada religião recebe de Deus um grau vibratório e magnético
específico que se assemelha a uma tela vibratória, e dentro dele
ressonarão todas as ações iniciadas dentro de seus templos..."
Mestre Rubens Saraceni
As flores, as imagens, o cheiro, o som, os pontos, o ritmo, o bordão são coisas fascinantes
que os fiéis não esquecem. A Umbanda é uma religião privilegiada, também, em relação a esses
elementos, que devem ser cuidados com esmero.
LIMPEZA
O terreiro todo precisa estar bem limpo, perfumado, arejado e iluminado, principalmente
nos dias de trabalho. A limpeza deve ocorrer antes, durante e depois de cada sessão.
ALTAR - CONGÁ
O altar, devidamente erguido e fundamentado, é um ponto de força pelo qual as
irradiações das divindades alcançarão todos os fiéis presentes no Templo. Sua principal
função é criar um magnetismo específico, um portal de captação das irradiações verticais das
divindades, irradiador dessas energias positivas que se espalharão horizontalmente,
ocupando todo o espaço do Templo.
No altar são colocados elementos materiais que, assim que são consagrados
religiosamente, tornam-se irradiadores de energias elementares puras ou mistas, ou
absorvedores de ondas ou de energias negativas (da aura ou do corpo energético das
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pessoas), que enviam às dimensões elementares, onde elas são diluídas e incorporadas ao
éter.
O altar deve, também, e ainda mais especialmente, estar sempre limpo e arrumado, com
toalhas, imagens, flores, ervas, frutos, velas e até cristais, minérios, armas simbólicas, etc. O
altar esteticamente organizado atrai o olhar dos fiéis, criando um magnetismo maior, que
beneficia a comunhão com as divindades e entre as pessoas.
O congá é o mais potente aglutinador de forças dentro do terreiro: é atrator, condensador,
escoador, expansor, transformador e alimentador dos mais diferentes tipos de energias e
magnetismo. Existe um processo de constante renovação axé que emana do congá, como
núcleo centralizador de todo o trabalho na umbanda. Cada vez que um consulente chega à
frente e vibra em fé, amor, gratidão e confiança, renovam-se naturalmente os planos
espirituais e físicos, numa junção que toda a consagração dos orixás na Terra, na área física
do templo.
Vamos descrever as funções do congá:
Atrator: atrai os pensamentos que estão à sua volta num amplo magnetismo de recepção das
ondas mentais emitidas. Quanto mais as imagens e elementos dispostos no altar forem
harmoniosos com o orixá regente do terreiro, mais é intensa essa atração. Congá com excessos
de objetos dispersa suas forças.
Condensador:
emanação psíquica dos presentes: palestras, adoração, consultas etc.
Escoador: se o consulente ainda tiver formas-pensamentos negativas, ao chegar à frente do
congá, elas serão descarregadas para a terra, passando por ele (o congá) em potente influxo
como se fosse um pára-raios.
Expansor: expande as ondas mentais positivas dos presentes; associadas aos pensamentos
dos guias que as potencializam, são devolvidas para toda a assistência num processo de fluxo e
refluxo constante.
Transformador: funciona como uma verdadeira usina de reclicagem de lixo astral,
devolvendo-o para a terra;
Alimentador: é o sustentador vibratório de todo o trabalho mediúnico, pois junto dele fixam-se
no Astral os mentores dos trabalhos que não incorporam.
AS IMAGENS
O uso de imagens é um recurso que tem por finalidade inspirar respeito e despertar nas
pessoas uma postura religiosa, de fé, silêncio e reverência, elevando as vibrações mentais,
aumentando a conexão com as qualidades divinas do Criador. Devem estar sempre limpas e
corretamente distribuídas no altar.
Umbanda Página 19
Muitos estranham que a Umbanda aceite e recorra aos ícones sagrados de outras religiões
(como os santos católicos). Mas, lembramos que a transposição dos orixás da natureza para o
interior das nascentes tendas de Umbanda, processou-se por intermédio dos santos católicos.
Um espírito, quando se universaliza, abre um campo de atuação tão amplo que
ultrapassa a religião que possibilitou sua elevação dentro das hierarquias divinas. O Divino
Jesus Cristo, por exemplo, ocultava com Sua singela imagem humana, o Divino Mestre Oxalá.
Um mistério divino tem alcance planetário, multidimensional e possui suas hierarquias
espalhadas por todas as religiões.
O Ritual de Umbanda Sagrada é universalista, congrega espíritos de todas as esferas
espirituais, dotando-os com nomes simbólicos, identificadores das qualidades dos orixás. A
Umbanda aceita todas as divindades como exteriorizações dos mistérios divinos, acolhe a
todas e reserva a cada uma um meio de melhor amparar os espíritos que Deus Pai lhes
confiou, por meio das linhas de ação e trabalho.
FLORES, ERVAS, RAÍZES, SEMENTES E FRUTAS
Plantas e flores são os melhores enfeites, pois produzem um efeito mágico não só de
beleza, mas de energização, absorvendo as energias negativas e transformando-as em
positivas.
Flores, ervas, raízes, sementes e frutas no altar liberam essências balsâmicas que
purificam o ambiente, tornando-o mais leve e benéfico, mantendo uma vibração elevada. As
plantas em geral emitem radiações energizadoras, purificadoras, curadoras, cicatrizadoras,
higienizadoras e potencializadoras.
Os frutos são fontes de energia que têm várias aplicações no plano etérico. Cada fruta é
uma condensação de energias que formam um composto energético sintético que, se
corretamente manipulado pêlos espíritos, tornam-se plasmas astrais usados por eles até como
reservas energéticas durante suas missões socorristas e curadoras, pois, quando atuam em
esferas mais densas, sofrem esgotamentos.
PEDRAS, MINERAIS OU CRISTALINAS
São elementos materiais condensadores e irradiadores de energias e ondas, que podem
ser direcionadas mentalmente. Cada pedra possui vibração própria e traz para o ambiente do
Templo a força do sítio da Natureza da qual foi retirada.
Orixá Linha Pedra Minério
Cristalina ou da Fé Quartzo
Oiá Cristalina ou da Fé Quartzo Estanho
Mineral ou do Amor Ametista Cobre
Mineral ou do Amor Opala Antimônio
Oxóssi
Vegetal ou do
Conhecimento
Esmeralda,
amazonita
Manganês,
madeira
petrificada
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Obá
Vegetal ou do
Conhecimento
Calcedônia, madeira
petrificada
Hematita
Xangô
ígnea ou da
Justiça
Pirita
Egunitá
ígnea ou da
Justiça
Topázio imperial,
ágata de fogo
Magnetita
Eólica ou da Lei Rubi, granada, Ferro
lansã Eólica ou da Lei Citrino Níquel
Obaluaiê
Telúrica ou da
Evolução
Turmalina,
obsidiana
Cassiterita
Nana
Telúrica ou da
Evolução
Rubelita, safira
Prata
lemanjá
Aquática ou da
Geração
Diamante, águamarinha
Platina
Aquática ou da
Geração
Ônix preto
Molibdenita
FERRAMENTAS
São utensílios religiosos e magísticos, como cálices, espadas, colares de contas e outros
feitos dos mais variados minérios que quando consagrados adquirem a capacidade de atrair ou
projetar ondas vibratórias energizadas. Também são absorvedoras de energias condensadas
no éter dos Templos ou nos campos eletromagnéticos dos médiuns ou dos consulentes.
Umbanda Página 21
ARRUMAÇÃO DOS ATABAQUES
Cada Templo tem sua forma de adornar e cobrir seus instrumentos sagrados e o local de
guardá-los. Costuma-se, ao fim das celebrações, afrouxarem os couros, para que durem mais
tempo.
DEFUMAÇÃO DO ESPAÇO
A defumação, antes do início de cada trabalho, dilui as energias negativas condensadas,
purifica o ambiente e sutiliza as vibrações, tornando o espaço receptivo às energias de ordem
positiva. Dilui cargas fluídicas dos médiuns e cargas energéticas que vêm com os consulentes,
além de trabalhar com os mesmos elementos básicos (fogo, plantas e alimentos) que as velas e
os arranjos das oferendas já representavam visualmente, intensificando o "clima" de magia e
sacralidade.
As defumações descarregam o campo mediúnico e sutilizam suas vibrações, tornando-o
receptivo às energias de ordem positiva. Ervas e fumos, quando potencializadas pêlos
mentores com energias etéricas, tornam-se poderosos limpadores de campos
eletromagnéticos. A fumaça defuma os médiuns e suas guias.
De preferência, defumar o ambiente todo, defumar as pessoas: o dirigente da casa, os
médiuns, seguindo a hierarquia da casa, se for o caso e a assistência.
Defumar o exterior se houver. O incensário com a defumação restante deve ficar do lado de
fora do terreiro.
É bom lembrar que o braseiro deve estar tão bem aceso que queimará até o fim, até virar
cinza. O carvão em brasa fica mais belo e brilhante, além do que o empenho, dedicação e
esforço do responsável pelo braseiro, tornam-se evidentes e podem ser admirados pelas
pessoas mais atentas. O próprio responsável acaba tornando mais intensa sua ligação (mental
e corporal) com o objeto simbólico, potencializando sua irradiação mágica, material e espiritual.
Umbanda Página 22
A defumação é feita na abertura dos trabalhos, acompanhada dos pontos cantados e
batidos nos atabaques, palmas e/ou outros instrumentos, da tradição umbandista.
As ervas usadas para a defumação variam de terreiro para terreiro, de acordo com os
fundamentos de cada casa.
PREPARAÇÃO DA CORRENTE MEDIÚNICA
A religião não deve ser como uma corrente que arrebenta no elo mais fraco. Quanto menos
pessoas fizerem o negativo, menos todos estarão expostos à vergonha. Fica claro que cada
um é responsável por todos e vice-versa. Ou seja, para que a religião evolua é preciso que,
ajudem seu pior praticante a ascender espiritualmente e como ser humano na sua totalidade
(material, emocional, culturalmente e como indivíduo (cidadão)).
Na estrutura de um Templo, todas as funções são importantes (dirigentes, médiuns,
cambones, auxiliares, etc.). O corpo mediúnico deve ser dividido em grupos de trabalho, cada
um com suas tarefas específicas.
Os participantes poderão se revezar nos grupos ou atuar segundo suas habilidades, e cada
posto deve ser ocupado pela pessoa mais qualificada para a função, ou a mais disposta.
A preparação do corpo mediúnico começa pelo esclarecimento sobre a doutrina
umbandista, a mediunidade e, principalmente, sobre a importância do médium e do seu
comportamento e concentração, antes, durante e depois dos trabalhos.
Citamos, a seguir, pontos importantes para uma boa preparação corporal, mental,
emocional e espiritual dos médiuns:

O TERREIRO (ESPAÇO SAGRADO E AS POSTURAS)


"UMBANDA TEM FUNDAMENTO,
"Somos templos vivos, através dos quais o Pai chega ao nosso semelhante. Temos que
espelhar o Pai."
Mestre Rubens Saraceni
Para que esta Doutrina de Umbanda não se transforme em letra morta ou palavras ao
vento, na prática cotidiana, é preciso que nossos terreiros sejam modelos de virtude dela.
Templo tem uma função nobre, muito maior do que podemos imaginar ou ver com olhos
carnais. Nesses locais, existe um campo eletromagnético criado pelas Irradiações Divinas que
o inundam de essências religiosas despertadoras da fé. No seu lado etérico ou espiritual,
cada Templo assemelha-se a uma célula viva, que ora se expande, ora se contrai, de acordo
com as necessidades. Nossos Templos são espaços consagrados às divindades e aos rituais
religiosos da Umbanda. Espaço físico do Templo acolhe aqueles que ali trabalham e os
freqüentadores de suas atividades. Mas, cada Templo tem seu correspondente espaço
etérico, seu grau vibratório e magnético, semelhante a uma tela vibratória. Nesse espaço
etérico específico, ressonarão todas as ações voltadas ao bem geral, iniciadas dentro do
templo, protegidas, amparadas e estimuladas pêlos mentores espirituais.
Sagrado é o Templo e sagrado deve ser o umbandista; silencioso e com respeito
integrando-se em espírito às coisas de Deus e tornando-se seu manifestador
Sempre que adentrarmos em um Templo, devemos pedir licença e comportarmo-nos
religiosamente, ainda mais se ele for de nossa religião, pois é o local onde nos conectamos
com o Divino Criador.
Não devemos jamais levar nossos vícios para os espaços sagrados, e nossa conduta
nesses locais deve ser de extrema cerimonial idade, cuidado e respeito. Esse lugar é
incompatível com conversas, brincadeiras, mexericos, comércio, vícios, futilidades, lixos e
qualquer outra inconveniência. O terreiro é um espaço sagrado e não um clube de amigos.
Todos devem estar irmanados no amor, na fé e nas atitudes, pois a postura é o modo
pelo qual Deus se manifesta por meio de cada um, para o seu semelhante. Portanto, nossa
postura deve ter coerência com o "espelhar o Pai".
Os praticantes de uma religião são membros de uma família e, em uma família desunida
e em desarmonia, não se podem realizar grandes coisas. Portanto, não deve haver conflito de
autoridade, desrespeito com o chefe da casa, com os irmãos ou com o público.
O corpo de trabalho, além das atitudes adequadas, tem de estar em prontidão, em
sintonia com o chefe da casa. Deve ter a compreensão profunda do momento sagrado e
bastante clareza da fronteira entre o profano e o sagrado.

ORGANIZAÇÃO DE GRUPOS DE TRABALHO


Temos consciência de que a maior parte dos templos de Umbanda são pequenos, mas,
pequenos, médios ou grandes, todos precisam ter uma infra-estrutura adequada, com seu espaço,
seus utensílios, seus médiuns e demais colaboradores, devidamente preparados.
Um Templo é uma organização e, como tal, tem de ter qualidade. Em uma organização
ninguém pode responder "não sei". Todos devem estar orientados, para que, ao receber qualquer
pergunta por parte dos freqüentadores, possam respondê-la ou levá-los até quem pode resolver o
seu problema.
Para dar um tratamento adequado a todos os trabalhos realizados em nossa religião, cada casa
deve formar Grupos Específicos, que se dedicarão ao planejamento, organização e condução de
cada atividade, de acordo com as necessidades e disponibilidades do Templo. Cada grupo deverá
ter um coordenador, auxiliado por irmãos, que poderão ter funções específicas ou não. Todos os
grupos deverão estar integrados e devidamente preparados e informados, para o exercício de suas
funções.
GRUPO PARA LIMPEZA E ARRUMAÇÃO DO TEMPLO
Esse grupo deve cuidar da manutenção da limpeza e da ordem do chão, os móveis e utensílios
que fazem parte do espaço sagrado, inclusive das cadeiras ou assentos para acomodação dos
freqüentadores.
GRUPO PARA ORGANIZAÇÃO DAS INFORMAÇÕES
Esse grupo deverá preparar os cronogramas e folders explicativos dos trabalhos da casa:
Calendário Anual de Trabalhos e Eventos
Umbanda Página 14
Deverá ser definido no início do ano, em conjunto com o dirigente da casa, e servirá como base
para o planejamento das atividades do Templo todo o ano.
Calendário Mensal de Trabalhos e Eventos, para os médiuns e para os
freqüentadores
Será definido antecipadamente, mês a mês, informando as datas, formas de trabalho, orixás
cultuados e etc.
Folhetos
Com Mensagens, Orações, Cantos e Explicações Doutrinárias, para os médiuns e para
os freqüentadores e demais divulgações necessárias.
GRUPO PARA RECEPÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DE SENHAS
A recepção aos fiéis deve ser feita desde a porta de entrada até o interior do templo. Na
porta de entrada deve haver, pelo menos, dois trabalhadores da casa, devidamente
uniformizados, para as primeiras orientações.
Em seguida, outros trabalhadores desse grupo distribuirão as senhas, colherão as
assinaturas dos freqüentadores em um livro de presenças e distribuirão os folders com os
cronogramas e as mensagens doutrinárias relativas ao trabalho do dia.
GRUPO PARA ORIENTAÇÕES Á ASSISTÊNCIA
Esse grupo ficará encarregado do encaminhamento das pessoas aos lugares, onde
permanecerão, em silêncio, antes e durante os trabalhos. Dará as primeiras orientações
comportamentais para a harmonia da assistência, o começo de mudança do tônus vibratório
geral e o modo adequado de agir em um templo ou em um santuário natural, quando for o caso.
Umbanda Página 15

POR QUE SOU UMBANDISTA


Na Umbanda, aceitam-se adeptos de todos os cultos religiosos;
Na Umbanda, não há privilégio nem preconceitos sobre cor, raça e religião;
Na Umbanda, não há intolerância religiosa;
Na Umbanda, o dinheiro não tem o poder de salvar ninguém;
Na Umbanda, a caridade não é limitada;
Na Umbanda, não se faz da caridade mercadoria: dá-se de graça que de graça se recebe;
Na Umbanda, a caridade é pura; está próxima de Deus!
Extraído do segundo número do boletim A Caridade, da Tenda N Senhora da Piedade (julho de
1956).
O VERDADEIRO UMBANDISTA
foram criadas por Ele. É amar a Terra, o vento, o rio, o fogo, o mar, as montanhas, as plantas e as
criaturas viventes. É amar a criatura humana, símbolo da perfeição de toda sua obra; Ser um
verdadeiro umbandista é colocar-se à disposição dos Guias Espirituais da Umbanda na prática da
Caridade, expressão maior do amor. É saber ouvir os bons conselhos dos Pretos Velhos; é ser
intrépido e valente como os Caboclos; é permanecer doce e gentil como as Crianças; é ser flexível e
corajoso como os Marinheiros; é ser um bom combatente e audacioso como os Boiadeiros; ser
manso e sereno como os Ciganos; é ser divertido e alegre como os Baianos (tal como o Mestre Zé
Pelintra). Ser um bom guardião das coisas santas como o incompreendido Exu;
Ser um verdadeiro umbandista é honrar os Sagrados Orixás, tenham eles os nomes que
tiverem, sejam eles regentes dos pontos de força em que estiverem entronizados, sejam eles
conhecidos ou ainda velados. É saber solicitar-lhes o socorro no cumprimento do dever; é pedir-lhes
ajuda quando necessário; é entender o seu correto campo de ação;
Ser um verdadeiro umbandista é prestar a caridade da forma como puder realizar,
independente do rótulo, mas sempre com amor, inteireza de coração e humildade. É estar sempre
solícito aos apelos dos necessitados, nunca esperando nada em troca. Nunca aguardando qualquer
forma de retribuição, seja material ou espiritual. É estender a mão ao caído, mas sem exigir dele o
pagamento do socorro;
Ser um verdadeiro umbandista é amar o irmão de fé, compreendendo suas fraquezas e
limitações, sem jamais apontar-lhe o dedo acusador com a intenção de empurrá-lo ao precipício. É
não tomar-se altivo, soberbo e poderoso perante os ignorantes e pequenos. É calar-se diante da
injúria ou da calúnia, e não revoltar-se preparando-se para a guerra armada;
Ser um verdadeiro umbandista é respeitar a autoridade espiritual que lhe foi apresentada
pêlos Guias, na pessoa do Chefe de Terreiro. É entender que ele também é passível de erros e
tropeços, e nunca pode ser visto como infalível. É aceitar as suas correções e orientações, ainda
que na vida comum ele peque naquilo que orientou melhor os seus filhos de fé. É fazer sempre o
Umbanda

ORIGEM DA UMBANDA


Em 1908, o jovem Zélio Fernandino de Moraes estava com 17
anos e havia concluído o curso propedêutico (equivalente ao atual
Ensino Médio). Zélio preparava-se para ingressar na Escola Naval,
quando fatos estranhos começaram a acontecer.
Às vezes, ele assumia a estranha postura de um velho, falando
coisas aparentemente desconexas, como se fosse outra pessoa e que
havia vivido em outra época. Em certas ocasiões, sua forma física
lembrava um felino lépido e desembaraçado que parecia conhecer
todos os segredos da Natureza, os animais e as plantas.
Esse estado de coisas logo chamou a atenção de seus familiares,
principalmente porque ele se preparava para seguir carreira na
Marinha, como aluno oficial. As coisas foram se agravando e os chamados "ataques" repetiam-se
cada vez com maior intensidade. A família recorreu então ao médico Dr. Epaminondas de
Moraes, tio de Zélio e diretor do Hospício de Virgem Grande.
Após examiná-lo e observá-lo durante vários dias, encaminhou à família dizendo que a loucura
não se enquadrava em nada do que ele havia conhecido, ponderando ainda que fosse melhor leválo
a um padre, pois o garoto mais parecia estar endemoninhado. Como acontecia com quase todas
as famílias importantes, também havia na família Moraes um padre católico. Por meio desse
sacerdote, também tio de Zélio, foi realizado um exorcismo para livrá-lo daqueles incômodos.
Entretanto, nem esse, nem os dois outros exorcismes realizados posteriormente, inclusive com a
participação de outros sacerdotes católicos, conseguiram dar aos Moraes o tão desejado sossego,
pois as manifestações prosseguiram, apesar de tudo.
Depois de um certo tempo, Zélio passou alguns dias com uma espécie de paralisia, quando,
repentinamente, se levantou e se sentiu completamente curado. No dia seguinte, voltou a caminhar
como se nada tivesse ocorrido. Sua mãe, Dona Leonor de Moraes, levou-o a uma curandeira,
muito conhecida na região, Dona Cândida, que incorporava o espírito de um Preto-Velho chamado
Tio António. Essa entidade conversou com Zélio e fazendo suas rezas disse-lhe que possuía o
fenômeno da mediunidade e deveria trabalhar para a caridade. O pai de Zélio, Sr. Joaquim Fernandino
Costa, apesar de não freqüentar centros espíritas, já era um adepto do Espiritismo, fazendo muitas
leituras desse gênero.
No dia 15 de novembro de 1908, por sugestão de um amigo de seu pai, Zélio foi levado à
recém-fundada Federação Espírita de Niterói, município vizinho àquele onde residia à família
Moraes, ou seja, Neves. A Federação era, então, presidida pelo senhor José de Souza
(conhecido como Zeca, segundo palavras de Zélio), chefe de um departamento da Marinha
chamado Toque-Toque.
O jovem Zélio foi conduzido à mesa pelo senhor José de Souza e, tomado por uma força
estranha e alheia à sua vontade, levantou-se e disse: Aqui está faltando uma flor. Saiu da
sala em direção ao jardim, voltando logo a seguir com uma flor que colocou no centro da
mesa. Essa atitude causou um grande tumulto entre os presentes principalmente porque, ao
mesmo tempo em que isso acontecia, ocorreram surpreendentes manifestações de Caboclos
Umbanda Página 8
e Preto-Velhos. O diretor da sessão achou aquilo tudo um absurdo e advertiu-os, com
aspereza, citando o "seu atraso espiritual" e convidando-os a se retirarem.
O senhor José de Souza, médium vidente, interpelou o espírito manifestado no jovem
Zélio e foi, aproximadamente, este o diálogo ocorrido:
Sr. José: Quem é você que ocupa o corpo deste jovem?
O espírito: Eu sou apenas um caboclo brasileiro.
Sr. José: Você se identifica como um caboclo, mas eu vejo em você restos de vestes
clericais.
O espírito: O que você vê em mim são restos de uma existência anterior. Fui padre, meu
nome era Gabriel Malagrida e, acusado de bruxaria, fui sacrificado na fogueira da Inquisição
por haver previsto o terremoto que destruiu Lisboa, em 1775. Mas, em minha última
existência física, Deus concedeu-me o privilégio de nascer como um caboclo brasileiro.
Sr. José Por que o irmão fala nesses termos, pretendendo que esta mesa aceite a
manifestação de espíritos que pelo grau de cultura que tiveram, quando encarnados são
claramente atrasados? E qual é o seu nome irmão?
O espírito: Se julgam atrasados esses espíritos dos pretos e dos índios, devo dizer que
amanhã estarei na casa deste aparelho (o médium Zelio) para dar início a um culto em que
esses pretos e esses índios poderão dar a sua mensagem, e, assim, cumprir a missão que o
plano espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a
igualdade que deve existir entre todos os irmãos encarnados e desencarnados. E se querem
saber o meu nome, que seja este: "Caboclo das Sete Encruzilhadas", porque não haverá
caminhos fechados para mim. Venho trazer a Umbanda, uma religião que harmonizará as
famílias e que há de perdurar até o final dos séculos.
No desenrolar dessa "entrevista", entre muitas outras perguntas, o senhor José de
Souza interrogou se já não bastavam às religiões existentes e fez menção ao Espiritismo,
então praticado, e foram estas as palavras do Caboclo das Sete Encruzilhadas:
O senhor José de Souza fez ainda uma última pergunta: "Pensa o irmão que alguém irá
assistir o seu culto"? Ao que o Caboclo respondeu: Cada colina de Niterói aluará como portavoz
anunciando o culto que amanhã iniciarei.
ou pobre, poderoso ou humilde, todos se tomam iguais na morte, mas vocês homens
preconceituosos, não contentes em estabelecer diferenças entre os vivos, procuram levar
essas mesmas diferenças até mesmo além da barreira da morte. Por que não podem nos
visitar esses humildes trabalhadores do espaço, se apesar de não haverem sido pessoas
importantes na Terra, também trazem importantes mensagens do além? Por que o não aos
Caboclos e Preto-
Prosseguindo diante do senhor José de Souza, disse ainda o Caboclo das Sete
Encruzilhadas:
o meu aparelho mora, haverá uma mesa posta a toda e qualquer
entidade que queira se manifestar, independentemente daquilo que haja sido em vida, todos
Umbanda Página 9
serão ouvidos e nós aprenderemos, com aqueles espíritos que souberem mais e ensinaremos
aqueles que souberem menos e a nenhum viraremos as costas nem diremos não, pois esta é
Sr. José: E que nome darão a esta igreja?
O Caboclo: Tenda Nossa Senhora da Piedade, pois da mesma forma que Maria amparou
nos braços o filho querido, também serão amparados os que se socorrerem da Umbanda.
A denominação de "Tenda" foi justificada assim pelo Caboclo: Igreja, Templo, Loja dão
um aspecto de superioridade enquanto Tenda lembra uma casa humilde. Ao final dos
trabalhos, o Caboclo das Sete Encruzilhadas pronunciou a seguinte frase: Levarei daqui uma
semente e vou plantá-la nas Neves onde ela se transformará em árvore frondosa.
No dia seguinte, na Rua Floriano Peixoto, n° 30, em Neves, município de São Gonçalo,
estado do Rio de Janeiro, o Caboclo baixou. Na sala de jantar da família Moraes, às 20h do
dia 16 de novembro de 1908, um grupo de curiosos kardecistas e dirigentes da Federação
Espírita de Niterói estavam presentes para ver como seriam essas incorporações, para eles
indesejáveis ou injustificáveis.
Pontualmente às 20 horas o Caboclo das Sete Encruzilhadas incorporou e com as
palavras abaixo iniciou seu culto: - Vim para fundar a Umbanda no Brasil, aqui se inicia um
novo culto em que os espíritos de pretos velhos africanos e os índios nativos de nossa terra
poderão trabalhar em benefício dos seus irmãos encarnados, qualquer que seja a cor, raça,
credo ou posição social.
Logo após a incorporação, o Caboclo foi atender um paralítico, curando-o imediatamente.
Várias pessoas doentes ou perturbadas tomaram passes e algumas se disseram curadas. O
diálogo do Caboclo das Sete Encruzilhadas, como passou a ser chamado, havia provocado
muita especulação e alguns médiuns que haviam sido banidos das mesas kardecistas, por
haverem incorporado Caboclos, Crianças ou Preto-Velhos, solidarizaram-se com aquele
garoto que parecia não estar compreendendo o que lhe acontecia e que de repente se via
como líder de um grupo religioso, obra essa que só terminaria com a sua morte, mas que
suas filhas Zélia de Moraes e Zilméia de Moraes prosseguiram com o mesmo afã. Dona Zélia
desencarnou em 1997 e Dona Zilméia, atualmente com 93 anos, continua sua tarefa
mediúnica na Cabana de Pai António.
No final dessa reunião, o Caboclo ditou certas normas para a seqüência dos trabalhos,
inclusive atendimento absolutamente gratuito, uso de roupas brancas simples, sendo os
cânticos baixos e harmoniosos. A esse novo tipo de culto que se estruturava nessa noite, ele
denominou de Umbanda, que seria a manifestação do espírito para a caridade.
Após a "subida" do Caboclo, manifestou-se uma entidade conhecida como "preto velho"
que saindo da mesa se dirigiu a um canto da sala onde permaneceu agachado. Questionado
sobre o porquê de não ficar na mesa respondeu:
"- Nego num senta não meu sinhô, nego fica aqui mesmo. Isso é coisa de sinhô branco e
nego deve arespeita". Após insistência ainda completou: "-Num carece preocupa não, nego
fica no toco que é lugar de nego!" E assim continuou dizendo outras coisas mostrando a
simplicidade, humildade e mansidão daquele que trazendo o estereótipo do preto velho, se
Umbanda Página 10
identificou como Pai António e logo cativou a todos com seu jeito.
ele não ac - Minha cachimba, nego quê o pito que
. Esta frase originou o ponto cantado com este texto.
Todos ficaram perplexos, estavam presenciando a solicitação do primeiro elemento
material de trabalho dentro da Umbanda. Na semana seguinte todos trouxeram cachimbos
que sobraram diante da necessidade de apenas um para o Pai António. Assim, o cachimbo foi
instituído na linha de pretos velhos. Pai António também foi a primeira entidade a pedir uma
guia (colar) de trabalho.
O pai de Zélio freqüentemente era abordado por pessoas que queriam saber como ele
aceitava tudo isso que vinha acontecendo em sua residência. Sua resposta era sempre a
mesma, em tom de brincadeira respondia que preferia um filho médium em lugar de um filho
louco. Foi um trabalho árduo e incessante para o esclarecimento, difusão e sedimentação da
Umbanda.
Dez anos após a fundação da Tenda Nossa Senhora da Piedade registrada como tenda
Espírita, por não ser aceito na época o registro de uma entidade com especificação de
Umbanda, o Caboclo das Sete Encruzilhadas declarou que iniciava a segunda parte de sua
missão: a criação de sete templos, que seriam o núcleo do qual se propagaria a religião da
Umbanda.
Em 1935, estavam fundados os sete templos idealizados pelo Caboclo das Sete
Encruzilhadas, sendo curiosa a fundação do sétimo, que receberia o nome de Tenda São
Jerônimo (a casa de Xangô). Faltava um dirigente adequado à mesma, quando numa noite de
quinta feira, José Alvares Pessoa, espírita e estudioso de todos os ramos do espiritualismo,
não dando muito crédito ao que lhe relatavam sobre as maravilhas ocorridas em Neves,
resolveu verificar pessoalmente o que se passava.
Logo que entrou na sala em que se reuniam os discípulos do Caboclo das Sete
Encruzilhadas, este interrompeu a palestra e disse:
Já podemos fundar a Tenda São Jerônimo e seu dirigente acaba de chegar. O senhor
Pessoa ficou muito surpreso, pois era desconhecido no ambiente e não anunciara a sua
visita. Viera apenas verificar a veracidade do que lhe narravam. Após breve diálogo em que o
Caboclo das Sete Encruzilhadas demonstrou conhecer a fundo o visitante, José Alvares
Pessoa assumiu a responsabilidade de dirigir o último dos sete templos que a entidade criava.
Dezenas de templos e tendas, enquanto Zélio esteve encarnado foram fundadas mais de
10.000 tendas. Após 55 anos de atividades este entregou a direção dos trabalhos da Tenda
Nossa Senhora da Piedade às suas filhas, Zélia e Zilméia. Zélio desencarnou no dia 03 de
outubro de 1975.